OBRA DE ARTE DA SEMANA: ‘Pélagos’ de Barbara Hepworth


Barbara Hepworth, Pélagos, olmo, cordas e pintura sobre base de carvalho, 43 x 46 x 38,5 cm, 15,2 kg, 1946, Conservada na Tate, em Londres, Reino Unido.

A escultura da artista britânica Barbara Hepworth atrai a atenção do espectador por sua beleza harmônica e dinamismo . Apesar de se tratar de uma obra abstrata, como a maior parte da produção da criadora, que mergulhou ainda mais na abstração após seu casamento com Ben Nicholson, a inspiração de sua forma veio das curvas da baía de Sr. Ives, na Cornualha, para onde ela se mudou em 1939, e que inspirou muitas de suas obras do período, consideradas dentre suas melhores, inclusive por ela mesma. A peça foi esculpida em um único pedaço de madeira usando um cinzel, um instrumento de metal com uma de suas extremidades bastante afiada, que o escultor usa para remover material. O título Pélagos faz alusão a origem da ideia da escultura, pois, em grego, a palavra significa “mar aberto”.

O que vemos, então, é uma representação tanto da forma da baía, na qual duas faixas de terra envolvem o mar – a madeira como a terra e o interior azul claro como o mar -, quanto de uma concha, uma colina ou das ondas do mar revolto e gélido da região. Kate Doherty, ainda, sugeriu que a forma da escultura faria alusão ao útero e à maternidade. O azul claro, quase branco, na parte de dentro da forma circular, representa a espuma que as ondas formam em seu ápice, antes de quebrarem. Essa tensão do ápice também é mostrada através das cordas retesadas, que lembram um instrumento musical, e, segundo a artista são a expressão da “tensão que sentia entre mim mesma e o mar, o vento e as colinas”. A obra é bastante próxima de outra escultura do período, que também possui cordas retesadas fixadas à madeira, de título Onda.


Barbara Hepworth, Onda, madeira, cordas e pintura sobre base de carvalho, 30,5 x 44,5 x 21 cm, 1943. Conservada na National Galleries of Scotland, em Edimburgo, Reino Unido.

Assim, podemos perceber que além da abstração, há toda uma gama de sentimentos e percepções da artista em relação ao mundo externo e seu mundo e interno; emoções que o espectador percebe aos poucos ao se deparar com a obra. Hepworth se interessava pelo movimento metafísico e religioso chamado de Ciência Cristã e sua ênfase no espiritual sobre o material, além de pela psicologia, o que claramente influenciou sua prática artística.

Bibliografia:

Susie HODGE, Breve história da arte moderna, São Paulo, Editora Gustavo Gili, 2019, p. 40, 142-143. Trad. Julia da Rosa Simões.
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Chris STEPHENS, “Pelagos” in Tate, [Online]. Consultado em 07/01/2020.
https://www.tate.org.uk/art/artworks/hepworth-pelagos-t00699 

Simon WALLIS, “Pelagos” in Tate, [Online]. Consultado em 07/01/2020.
https://www.tate.org.uk/context-comment/articles/barbara-hepworths-pelagos-1946

“Wave” in National Galleries of Scotland, [Online]. Consultado em 07/01/2020.
https://www.nationalgalleries.org/art-and-artists/57366/wave

Fonte das imagens:

https://www.tate.org.uk/context-comment/articles/barbara-hepworths-pelagos-1946

https://www.nationalgalleries.org/art-and-artists/57366/wave

 

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