É possível separar a obra do artista?

Apesar de volta e meia no mundo das artes esbarrarmos nessa pergunta, – se é possível separar, ou não, a obra do artista? – ela é, de certa foram, limitante para a potência da arte. Sendo respondida ou não, essa pergunta pode ser o fio condutor para se pensar coisas muito importantes…

Qual a finalidade de separar a obra do artista?

Se você não gosta de algum artista por algum motivo (e isso vai desde a sua personalidade até atrocidades que esse sujeito pode ter cometido), você simplesmente não consome, divulga ou financia as obras dele, certo?

A partir daqui a gente toca em três aspectos que permeiam essa discussão:

  • consumir ou não
  • a obra agindo no mundo
  • valorizar pessoas nas quais acreditamos

Uma vez que o artista coloca uma obra no mundo ele não tem mais controle da potência dela, do que ela vai significar, o que ela vai influenciar ou como vai vibrar, ela EXISTE e a autoria está dada.

A única decisão que a gente faz a partir de então é consumir/valorizar ou não, a não ser em contexto acadêmico, em que a gente estuda a história e conceitos estéticos. Mas o jeito que a obra repercute no mundo não é sobre o artista, é sobre a obra de arte enquanto potência.

A obra é do mundo e o mundo somos todos nós!

Sem deixar de olhar também para o fato de que a gente aplaudir ou odiar alguém é uma questão de saber alguma coisa sobre essa pessoa (imaginem o quanto de coisa podre que a gente nem tem ideia, pois é…). E hoje em dia, felizmente, é mais fácil ter acesso a algumas informações, e eu vejo isso não como um jeito de estimular a cultura do cancelamento, mas justamente para saber o que valorizar. Então ainda bem que recebemos essas informações e podemos fazer algo com elas, valorizando o que acreditamos, investindo e apoiando artistas que persistem em fazer arte, em qualquer era da história da humanidade. Porque é isso que a gente faz. Criamos para existir e evoluímos criando. Porque precisamos! Nos apropriamos do que nos faz pulsar. Assim, existimos!

É preciso saber, na verdade, quando se torna necessário separar ou não, o que não significa que você tenha que gostar ou promover algum artista. É possível alguém entender a relevância de uma obra, pensando na história da arte (e assim, também, valorizando essa área de conhecimento) ou fruição, sem falar da biografia do artista. Pensa comigo: Você já passou por alguma exposição sem nem saber o nome do artista e foi de alguma maneira tocado(a) por alguma obra? Isso é a obra agindo com a sua potência!

A obra continua sendo a obra, e o autor, o autor; e ela existe enquanto um organismo vivo que foi trazido ao mundo por um certo alguém, que, independente de a gente odiar ou amar, continua sendo quem a produziu. O que cabe a nós é a escolha de consumir/divulgar/financiar a arte dessa pessoa ou não, de nos permitirmos nos conectar com a obra ou não.

E por isso volto na questão de valorizar. Sou feliz de ver que o artesanal tem sido mais valorizado, o compre de quem faz, o apoie artistas vivos. A sementinha do incômodo com a desvalorização do artista tem sido bem plantada.

Mesmo amando estudar a história da arte, sei que a gente é quem está escrevendo a história da arte que será contada futuramente. E assim como há gente ruim – enquanto ser humano mesmo – produzindo, também há muita gente boa!

É mais sobre saber o que valorizar, saber onde colocar sua energia, seja ela em palavras, dinheiro ou ações.

Boto muita fé de que as reflexões nos enriquecem muito, por isso trago às vezes algo pra cá.

Não trago respostas. O importante pra mim são as perguntas que a gente pode fazer pra nós mesmos, do tipo:

O que eu tenho valorizado?

Fonte da imagem: Fotografia da autora

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