Uma questão de gosto literário

Quantos gostos literários existem? Eu não me arriscaria a dizer. Aliás, não me arrisco sequer a catalogar os diferentes gêneros literários que se tem por aí. São muitos ou são poucos? Aquelas diversas ramificações, os subgêneros (posso chamar assim?), são de uso comum e aceito por todos no mundo literário? Há algum entendimento sobre isso? Quem e como se define isso?

Sim, são muitas dúvidas. Mas prefiro as dúvidas do que as respostas prontas. Digo, daquelas que já existem antes mesmo das perguntas, como se um constructo a priori pudesse comportar todas as possibilidades de experiência possíveis. Se para algumas questões uma resposta simples e direta basta (“Você está bem?”, “Estou!”), para outras a obviedade na rápida resposta é apenas aparente. Muitas vezes é possível ir mais a fundo, de modo que os questionamentos também passam a ocupar a mente daquele que deu a resposta inicial.

Desse modo, reconhecendo aqui a minha incapacidade para explicar ou delimitar quais são os gêneros literários que existem, peço licença para utilizar expressões simples quando me referir aos poucos gêneros literários mencionados.

Quando entramos numa livraria ou numa biblioteca, vemos que os livros estão divididos em seções. Essa divisão pode ser um primeiro passo dado para que estabeleçamos alguns tipos de gêneros literários. Ainda assim, é necessário avançar, já que essa separação por gêneros pode ser insuficiente quando se busca algo mais específico.

Para além daqueles estandes situados nas entradas das livrarias, onde geralmente estão os destaques do mês, os mais vendidos, os lançamentos e as promoções, têm-se as prateleiras organizadas de acordo com determinados tipos. Ocorre que esses tipos muitas vezes acabam sendo abrangente demais, não dando espaço para especificidades. Se procuro o último livro do Daniel Galera, por exemplo, devo me dirigir à seção “literatura nacional”. Lá estando, o critério da busca passa a ser a organização pela ordem alfabética dos nomes dos autores. Assim, enfim, encontro o livro que procuro.

Há também a possibilidade de pular essa parte da busca, bastando perguntar sobre o livro procurado para um vendedor ou fazendo a compra pela internet.

Em outras seções pode ocorrer de igual modo. Os livros de filosofia, por exemplo, geralmente estão numa seção chamada… filosofia! Não há divisões por escolas ou correntes filosóficas. E se alguém conhecer algum lugar que faça subdivisões do tipo “ontologia”, “epistemologia”, “ética, “metafísica”, e por aí for, por favor, me indique.

Crendo ter conseguido mostrar o meu ponto, passemos para a literatura ficcional. Vários são os seus gêneros e subgêneros. Temos livros de terror, obras de romance, histórias de aventura, romances filosóficos, escritos de autoajuda e muito mais. Qual é o melhor tipo de literatura?

É aí que digo que a questão acaba sendo de gosto literário. Acredito que na literatura não deve existir espaço para pedantismo. Não que eu não possa achar uma obra ruim ou um gênero literário chato. É o meu direito como leitor. Só que o tamanho do mundo literário é incrivelmente grande, possibilitando assim um pluralismo de vários tipos de livros.

Há muita coisa que eu não gosto na literatura. Também há algumas outras que eu não tenho a mínima vontade de ler, mesmo que para conhecer e “dar uma chance”. Tenho para mim que algumas histórias são ruins, que alguns enredos são fracos, que alguns romances são enfadonhos, que alguns gêneros não me agradam, e até mesmo que alguns tipos de obras eu não suporto. Mas isso não significa que os objetos de minha análise de fato o sejam. Evito sempre qualquer postura relativista, e não creio que seja isso que eu esteja fazendo aqui, pois também acredito que há diferença entre eu achar algum livro ruim e um livro ser ruim. Uma obra mal escrita continuará sendo mal escrita mesmo que a história ali contada agrade alguém. Por isso é que há obras que são ruins e continuam sendo ruins mesmo quando nutrem o gosto de alguém. E também é por isso que há obras que alguns acham ruins, enquanto outros não, o que não significa que a obra seja ou não de fato ruim.

O ponto que aqui se destaca, portanto, é a subjetividade do leitor para com relação ao tipo de leitura que lhe agrade. É por isso que não se pode dizer que um gênero é horrível, pois isso se traduz apenas como sendo a opinião do leitor. Há quem ache bobo o seu gosto por livros que contam histórias sangrentas, nutrindo um tipo de repulsa parecida ou igual àquela que você possui sobre o gosto daqueles leitores que apreciam histórias de amor.

No final, (quase) tudo acaba sendo uma questão de gosto literário.

 

 

 

   Texto revisado por Stephany Justine


Fonte da imagem:

https://itcultura.files.wordpress.com/2010/12/19-meses-de-prateleiras-de-livros-maio-10-5.jpg

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