O que dá para salvar na nova série da Netflix, Friends From College

Nem sempre a Netflix acerta e das vezes que erra, geralmente, cai no mesmo problema: a falta de ritmo. Existe um contexto, uma história e um objetivo, mas com esse problema de ritmo ela fica vazia, como se faltasse alguma cola que juntasse todos os pedacinhos. Friends From College é uma série desse tipo, sem muito carisma ou ritmo, fica sendo mais uma para vermos sem nos importarmos muito ou nos apegarmos.

Como o nome mesmo já diz, se trata de uma série que mostra uma turma de adultos, por volta dos seus quarenta anos que se conhecem desde a época de faculdade. Mas conforme você vai crescendo, obviamente evoluímos e mudamos, porém, na série que a maioria ali vive um eterno momento de imaturidade, querendo manter o grupo e as piadas como se ainda estivessem na faculdade, querendo reviver um momento desnecessário, sem aproveitar muito o agora.

Porém, existe algo relevante dentro dela que dá para se considerar e quem sabe falar sobre, que é o convivo social que nós nos obrigamos a passar, apenas para camuflar o medo que o ser humano sente de ser solitário. Diferente de histórias que mostram os amigos sempre muito juntos e os acontecimentos da vida como antagonistas, moldes já montados em Friends e How I Met Your Mother, aqui vemos o próprio grupo sendo antagonista e protagonista. Talvez esse seja mais um motivo dá serie não ser muito carismática, ela mostra muito mais a realidade que vivemos, fugindo desse padrão bonitinho que nos acostumamos a vivenciar. Ela soa como uma série de comédia, mas tem uma veia dramática pesada.

Ao assistir essa série, fazemos sempre uma comparação com a nossa realidade e as questões que podemos levantar são: quantas vezes você já não foi a um rolê ou simpático de forma que se sentiu obrigado e por dentro estar se contorcendo, morrendo de vontade de ir embora e ficar no seu quarto sozinho? Quantos amigos você manteve apenas por comodismo e no fim das contas não queria nem saber como estava a vida dele e vive falando mal dos mesmos pelas costas? Quantos desses amigos você não encheu de fotos nas redes sociais apenas para dizer que estava com eles ou em um determinado lugar? E a questão mais importante: por que fazemos isso todos os dias das nossas vidas e continuamos cada vez mais presos nesse meio social obrigatório?

Essas questões são levantadas de forma muito leve na série, até porque são oito episódios de meia hora, não dá tempo nem de construir personagens carismáticos, quem dirá esses levantamentos. A grande maioria dos “amigos” ali apenas se juntam e saem mesmo não se suportando, porque em algum momento da vida eles foram felizes em grupo e mesmo que esse momento tenha sido há vinte anos, eles continuam tentando reviver aqueles dias felizes, mesmo todos sendo falso e traindo a confiança de diversas formas.

Parece que quanto mais ficamos velhos, deixamos essa mania social se tornar algo natural. Digo, qual é o problema de manter dois ou três amigos verdadeiros? Logicamente nenhum. Vale muito mais ter dois amigos com que você se divirta tanto que não precise nem sair de casa e possa ficar jogado em um sofá, sem mostrar ao mundo nas redes sociais que está se divertido. Se soltar dessa prisão social é uma das formas mais libertadoras de se viver, mas infelizmente parece que quando saímos de uma amarra, acabamos nos colando em outra conforme vamos trocando de trabalho, terminando a escola, faculdade, cursinho e por aí vai, uma grande bola de neve social.

Logicamente isso fica mais evidente com a escravidão social das redes sociais, você é praticamente obrigado a tirar foto com vários amigos “cools” em lugares badalados para mostrar ao mundo que você está “vivendo”.

Mas voltando a série (apesar de não termos fugido muito dela), ela é bem desconfortável sim e mais sem graça ainda, mas acredito que é justamente por todos esses motivos que citei antes. Estamos acostumados a nos auto enganarmos nessas relações interpessoais e nos assusta muito quando uma produção audiovisual mostra o lado ruim disso tudo. Claro que a série também tem vários problemas, além do personagem Ethan Turner que é totalmente sem graça e é interpretado por um ator mais sem carisma ainda.

Se pudermos tirar algo de uma série fraca como Friends From College é a mensagem de que devemos sim fazer amizades e conviver em sociedade é uma das coisas mais maravilhosas do ser humano, mas como tudo na vida, é aconselhado que seja algo saudável e que, acima de tudo, você queira fazer.

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