Saiba por que “The Good Place” é uma série que você deveria assistir

“The Good Place” é uma sitcom americana criada por Michael Schur e que foge bastante dos formatos convencionais do gênero. A série possui a primeira temporada inteira disponível na Netflix, enquanto a segunda temporada teve seu início exibido na plataforma de streaming e atualmente está em um hiato com retorno previsto para o início de 2018.

Sem mais delongas, eis o enredo da série: Eleonor Shellstrop acorda em um lugar chamado de “lugar bom”. É para esse local que as pessoas boas vão quando morrem. Ela é recebida por Michael, seu mentor, que explica para ela que todas as ações boas que ela fez a tornou capaz de viver no “lugar bom”. Eleonor é apresentada ao local, com seus vizinhos bons, sua casa dos sonhos e ainda sua “alma gêmea”. Afinal, o que seria viver no paraíso sem sua alma gêmea? A odisseia de Dante em busca de sua amada já mostrou que isso é impossível. Sendo assim, Eleonor está no lugar perfeito, com a pessoa perfeita do seu lado e pode-se dizer que ela está fadada à felicidade eterna, correto? Errado.

É aqui que as coisas começam a se tornarem mais interessantes e a te prender na história. Eleonor sabe que não fez nenhuma daquelas boas ações para estar no paraíso. Isso quer dizer que houve algum engano e que ela está ocupando o lugar de outra pessoa. Sua suposta “alma gêmea”, Chidi Anagonye, foi professor de ética em vida e, ao saber da verdade sobre Eleonor, encontra-se em um dilema ético e moral. Contar a verdade? Permanecer em silêncio? A alternativa que Eleonor encontra é tentar se tornar uma boa pessoa, pois cada atitude ruim dela no “lugar bom”, acaba afetando toda a engenharia construída pelo mentor Michael.

Pela breve descrição do enredo acima, deu para perceber que não se trata de uma sitcom qualquer, com situações cotidianas efêmeras juntamente dos famosos timings para a risada da plateia. “The Good Place” retoma a noção de céu cristão, o questiona e o problematiza. Todos os clichês do lugar perfeito funcionam como uma ácida ironia da realidade. Às vezes o “lugar bom” não parece ser tão bom assim e o sempre mencionado “lugar ruim”, também não parece ser tão ruim assim. Os conceitos se misturam e as dicotomias se convergem. Segundo o livro Revelações [Apocalipse], com relação ao paraíso, trata-se de uma “tenda de Deus”, e nela não “haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor” (21:3,4). Na série, a complexidade do assunto é abordada de maneira cômica e em certos aspectos bem acessível. São nítidos os problemas do clichê do paraíso bíblico e a série explora tudo isso com bastante clareza.

Outro ponto positivo são as viradas de roteiro ou o que tecnicamente chamamos de plot twist. Como este texto não pretende estragar a experiência daqueles que se interessarem pela série, não há aqui nenhuma intenção de contar detalhes da trama. Entretanto, pode-se dizer que as duas viradas (na season finale e no início da segunda temporada) fazem uma nova desconstrução das noções de “lugar bom” e “lugar ruim”, além de deixar algumas incógnitas e a existência de um novo espaço que, ao meu ver, deve ser mais explorado provavelmente em futuras temporadas.

A série é rica em vários elementos do que podemos chamar de mitologia cristã e o formato sitcom se encaixa bem na proposta. Como nem tudo é perfeito, a série às vezes parece ter medo de desafiar os próprios conceitos que apresenta e, embora isso não prejudique em nada o produto final, serve como um fator a ser corrigido para que atinja um potencial bem maior do que ela já tem. Em resumo, se quer tomar uma boa dose diversão com críticas direcionadas ao modelo cristão, “The Good Place” te aguarda…

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