OBRA DE ARTE DA SEMANA: Pedestal Mágico – Esculturas Vivas, de Piero Manzoni


Piero Manzoni, Pedestal Mágico – Escultura Viva, madeira, 60x81x80 cm, 1961.

Pedestal mágico é uma obra verdadeiramente curiosa. O italiano Piero Manzoni expôs pedestais vazios, desprovidos de estátuas sobre eles, para que os espectadores pudessem subir nestes, se tornando assim obras de arte durante o tempo que estivessem ali. Existiram vários Pedestais Mágicos, entretanto, o importante aqui é a ideia comum a todos eles. A ideia como parte mais importante da obra, muitas vezes em detrimento da técnica e aparência estética, sendo exatamente a marca da arte conceitual. A obra coloca o espectador como parte integrante da obra, sendo este convidado a participar para que ela se torne completa.

Pedestal Mágico também está ligado a duas outras de suas obras: Esculturas Vivas, série de performances realizada pelo artista, na qual ele apôs sua assinatura em seres humanos, transformando-os assim em obras de arte vivas ambulantes, obras estas que recebiam um certificado de autenticidade também assinado por Manzoni, contendo um selo amarelo ou vermelho, indicando, respectivamente, que somente uma parte do corpo ou o corpo todo tornou-se uma obra de arte à partir daquele momento; e Pedestal do Mundo, uma base de escultura simplesmente virada de cabeça para baixo, acompanhada de seu título também invertido, colocando assim o mundo como escultura, ou seja, tudo é parte de uma obra de arte gigantesca.


Piero Manzoni, Pedestal do Mundo – Homenagem a Galileu, ferro e bronze, 82 x 100 x 100cm, 1961. Conservada no  HEART – Herning Museum of Contemporary Art, Herning, Dinamarca.

Todas as três visam questionar o que pode ser considerado arte: O que é uma obra de arte e o que pode ser considerado uma? Quem pode fazer arte? Com quais materiais podem-se realizar essas obras? Qual a relação do espectador com a obra? Qual a relação do artista com os materiais usados para criar? Qual o papel do artista? Qual o papel da arte?

Segundo o artista:

“Non c’è nulla da dire: c’è solo da essere, c’è solo da vivere”.

“Não há nada a dizer: há somente a ser, há somente a viver”.

Ou seja, essas três criações tornam a arte uma prática viva, ao invés de apresentar a obra como um objeto estável e intocável. Pedestal Mágico nunca estará terminado e sempre poderá mudar dependendo do indivíduo que estiver sobreposto à base da obra. É uma obra em permanente transformação.

De maneira lúdica, ele, na verdade, trata grandes questões ligadas à arte, sobretudo à arte contemporânea. O artista se torna, nesse caso, através de sua obra, um mediador entre o espectador e essa reflexão.

Essas questões já haviam sido tratadas por diversos artistas do início do século XX e o trabalho de Manzoni apresenta principalmente a influência do trabalho dos dadaístas, que além dos temas, se assemelha a estes por usar materiais diversos, já prontos, encontrados por aí – ready-mades -, às vezes “ajudados”– pelos artistas a se tornarem obras de arte através de inscrições ou alguma outra adição – os ready-mades aidés. Apesar de ele não ter feito parte do grupo unido por Pierre Restany, nos anos 60, que se denominava “novos realistas”, no sentido de que seus participantes se apropriavam de materiais “reais” para criar, sua obra também se aproxima do trabalho destes tanto pela escolha dos materiais quanto pelo seu questionamento.

Bibliografia:

Denys RIOUT, Qu’est-ce que l’art moderne?, Paris, Gallimard, 2000.

Ara H. MERJIAN, “Piero Manzoni” in Frieze. Consultado em 05/12/2017.
https://frieze.com/article/piero-manzoni-0

“Biografia” in Fondazione Piero Manzoni. Consultado em 05/12/2017.
http://www.pieromanzoni.org/biografia.htm

“La Merda d’Artista” in Fondazione Piero Manzoni. Consultado em 05/12/2017.
http://www.pieromanzoni.org/opere_merda.htm#scultureviventi

“Piero Manzoni” in Städel Museum. Consultado em 05/12/2017.
http://www.staedelmuseum.de/de/ausstellungen/piero-manzoni

“Piero Manzoni” in Hering Museum of Contemporary Art. Consultado em 05/12/2017.
http://www.heartmus.dk/en/about-heart/our-collection/piero-manzoni.html

Walker Art Center. Consultado em 05/12/2017.
https://walkerart.org/magazine/piero-manzonis-base-magica-scultura-vivente

Fonte das imagens:

http://www.pieromanzoni.org/

Se você se interessou por essa obra, pode também gostar desse post sobre a obra Fonte, o famoso mictório de Marcel Duchamp: https://artrianon.com/2017/11/14/obra-de-arte-da-semana-fonte-de-marcel-duchamp/

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