“A Louca da Casa”, de Rosa Montero (breve nota sobre o livro)

Espetacular. Simplesmente maravilhoso, arrebatador, acolhedor e cativante. Uma escrita sobre a escrita. Linhas que misturam a escrita metaliterária, imaginação e autobiografia. Um deleite para os leitores, principalmente para aqueles que também escrevem.

Rosa Montero escreve sobre escrever. Para tanto, utiliza de exemplos práticos e concretos envolvendo tanto situações próprias como a de outros escritores. Daí que além das várias lições constantes no livro (sempre muito descontraídas, mas sem perder a pontualidade expositiva) há também diversas curiosidades reveladas ao leitor. A autora conta, por exemplo, que Herman Melville vendeu apenas pouquíssimos exemplares de seu maestral “Moby Dick” em sua primeira tiragem, frustrando-o a ponto de interromper sua escrita durante muito tempo. Ainda, demonstrando os efeitos também assoladores do antagonismo do fracasso, Rosa Montero narra um pouco da vida de Truman Capote e as tristes consequências para o ego do escritor por ter alcançado o sucesso tão jovem e de maneira tão rápida. Enfim, os exemplos dados pela autora são diversos, possibilitando ao leitor conhecer alguns fatos sobre a vida de vários escritores.

A leitura incessante e farta, por óbvio, faz parte da vida de todo e qualquer escritor. Mas isso, claro, é apenas um dos pontos que servem de norteadores e como sustentáculo para quem se aventura na escrita. A autora deixa isso muito bem claro na obra. Ainda, sobre o questionamento de se optar por nunca mais ler ou nunca mais escrever, Rosa Montero responde que sem leitura jamais ficaria, explanando ainda o motivo de ser tal a resposta da grande maioria dos escritores quando assim questionados, deixando ainda registrada a crítica contra qualquer resposta em sentido contrário.

As inspirações literárias são diversas. A obsessão pela (e contra) a morte é um destes motes que servem como pano de fundo para muitas histórias. Aliás, a autora deixa claro que o seu mundo de escrita é o da fantasia. Pelos romances se diz muito, inclusive aquilo que é impossível dizer de qualquer outro modo. Sobre o seu estilo, separa a escrita profissional, pois também é jornalista, da que faz pelo prazer e tem como a sua vida, refutando veementemente qualquer tentativa de catalogar qualquer tipo de escrita como “escrita feminina”. Para evitar equívocos por terceiros para com relação a sua postura nas discussões ‘masculino-feminino’, Rosa Montero prefere utilizar o termo ‘antisexista’.

É um livro que vale muito a pena ser lido. Para quem escreve, vejo a leitura como obrigatória. Uma exposição encantada, divertida e muito bem construída sobre a arte da escrita.


Fonte da imagem:

https://www.taglivros.com/blog/wp-content/uploads/2018/05/leticia-wierzchowski-a-louca-da-casa.jpg


Compre os livros do autor aqui (comprando qualquer produto através desse link, você ajuda a manter o site e não paga nada a mais por isso!)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s