Michael Haneke tem relação com Roman Polanski?

Primeiramente, antes de começar, gostaria de me desculpar enquanto colunista pela ausência dessa coluna nas últimas 2 semanas. Por problemas familiares e pessoais não pude escrevê-la. Fica a autocrítica e segue o texto.

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Depois de assistir ao grande filme A professora de piano (2001), dirigido por Michael Haneke, ficamos muito impactados minha companheira e eu. Se trata de mais um grande filme de Haneke, mais uma grande atuação de Isabelle Huppert, e mais um tema daqueles, como é típico do Haneke – densidade, violência psicológica, tensão. Contudo, não vou me deter em detalhes, hoje, em relação ao longa – isto vale um texto próprio. Hoje vou comentar brevemente uma possível relação, uma aproximação entre diretores, no caso Haneke e Polanski, mas também outros de uma sugestão do Google.

Eu conheci Haneke através de Amour (2012), filme vencedor pela primeira vez da Palma de Ouro em Cannes e de Melhor filme em língua estrangeira no Oscar. Filme pesado, um casal de idosos, depressão, morte. Depois assisti a outros, os igualmente violentos O vídeo de Benny (1992), em que uma criança de uns 10 anos assassina uma amiga em sua casa; Violência gratuita de 1997 – depois Haneke o refilmou em 2007 – pelo título já indica a potência de violência; Caché (2003) é sua obra-prima dos que vi, filme incrível e igualmente super violento, a cena de suicídio é famosa. A esses se soma La pianiste (2001), que aborda a vida de uma professora de piano que tem uma relação extremamente violenta com sua mãe, provável fruto de abuso sexual na infância. É um filme sobre masoquismo.

Relações interpessoais violentas, violência psicológica: essas coisas estão presentes em todos os filmes acima citados. Por isso que a Eve recordou, quando debatíamos, do Polanski, especialmente o Polanski da Trilogia do Apartamento, especificamente o de Repulsa ao sexo, o primeiro, de 1965. Lá também temos relações interpessoais tensas, violentas, nas quais inveja, maldade, nojo, ressentimento se sobressaem; experiências humanas, sobretudo, transtornos psicológicos, pessoas vis e enlouquecidas. A loucura da vida real. Então podemos dizer que Polanski faz parte da acumulação estética de Haneke, que vem numa geração posterior à de Polanski. É um diretor que influencia Haneke de algum jeito? Provavelmente. Isso não significa que vamos entender o Haneke através do Polanski, mas vamos entender se houver relação.

Este texto originalmente terminaria aqui. Mas como eu vi no Google uma coisa interessante, resolvi abrir mais um. Ao buscar o nome Michael Haneke lá, encontrei um tópico que apontava justamente suas influências. Estava escrito: “Ingmar Bergman, Abbas Kiarostami, MAIS”. O primeiro, Bergman, é consenso, porque é um dos maiores diretores da história do cinema. Existe o cinema pré e pós-Bergman, assim como há outros divisores de água, como Serguei Eisenstein, Orson Welles e outros. Bergman erigiu uma obra diversa, não nos interessa o Bergman filosófico e existencial de O sétimo selo e Morangos silvestres, ambos de 1957, mas sim a sua face em Gritos e sussurros (1972), Persona (1966), ou ainda Face a face (1976). O Bergman dos conflitos intrafamiliares pesados, profundos, imerso em lágrimas, em desejo, em raiva; o Bergman das personagens maravilhosas, altamente complexas, experiencias humanas autênticas. Isto certamente é influência para muita gente no cinema, e Haneke, que sabe trabalhar com essas temáticas – e também numa abordagem que diríamos realista – não seria diferente.

Abbas Kiarostami que não entendi bem. É por certo um grande diretor, vi os seus O relatório (1977), O vento nos levará (1999) e Cópia fiel (2010), é um diretor detido muito ao tempo da cena, emulando ao máximo o tempo real, então são planos longos, às vezes cenas longas, e também com personagens igualmente interessantes. Mas não vejo a relação. Às vezes o oráculo Google também erra. O certo é que Haneke é um diretor muito interessante, cuja filmografia sólida já lhe dá o reconhecimento que merece na história da sétima arte.

Rodrigo Mendes

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