Vermeer: cor, luz e cotidiano

As obras de Vermeer tem para mim um carisma especial. Me atravessam e passam uma sensação tão deliciosa de intimidade, certa concentração e uma apreciação enorme no que diz respeito aos traços do pintor.

Johannes Vermeer, A leiteira (1657-58)

Gosto muito das pinturas de gênero, que representam o cotidiano e a vida das pessoas, e como diz Gombrich: “Com Vermeer, a pintura de “genre” perdeu o último vestígio de ilustração bem-humorada”, e eu acho isso fantástico.

Os artistas que eu mais admiro são aqueles que, de alguma forma, mudaram algo na arte, fizeram algo diferente, inovaram, colocaram a sua impressão de mundo extremamente peculiar em suas obras ou foram um tanto quanto visionários, ao passo que também fico a pensar em quantos desses não chegaram até a mim pelos livros e buscas, ou simplesmente por não terem compartilhado sua arte com o mundo ou não terem sido descobertos.

Johannes Vermeer, A rendeira (1669-70)


Fiquei em dúvida entre comentar hoje sobre a “A leiteira” e a “A rendeira”, mas escolhi “A leitera” pela composição do cenário, é magnífico. Se tem um rapaz nessa história da arte que soube fazer algo simples se tornar indubitavelmente belo, foi o Vermeer. Meticuloso e de uma sensibilidade incrível, que sai de seus pincéis e atravessam nossos olhos mirando diretamente o coração. Isso explana um pouco da sensação deliciosa citada acima.

Johannes Vermeer, A leiteira (1657-58)


A parte bacana desse exercício de fazer leituras de obras, mesmo que sejam pessoais, é que quanto mais o fazemos, mais “sensíveis” ficamos para perceber obras. Por isso, recomendo fortemente a quem se interessa, nem que for uma troca com algum amigo comentando obras que você goste. Mesmo que na maioria das vezes seja difícil explicar o porquê da escolha, e, mais ainda, tentar traduzir algum sentimento que ela desperta em você de um jeito entendível às outras pessoas. No entanto, penso que essa seja a parte mais instigante, motivadora e enigmática, é como se a gente tentasse desvendar uma verdade (que já está dentro de nós) para nós mesmos ou para os outros e, assim, vamos crescendo mais “de fora pra dentro”, se é que você me entende.

De verdade? Não consigo não gostar de algum estilo artístico. Eu fico boba e me encanto sobre como as coisas foram ocorrendo, se modificando, se contradizendo e se reinventando. Uma vez ouvi que “a arte é o que existe de mais humano no homem” pasmei, é a mais pura realidade dessa vida!

Termino com uma citação do Gombrich, pois não achei palavras melhores para tentar descrever “o milagre de Vermeer”:

“Uma de suas características milagrosas talvez possa ser descrita, embora dificilmente explicada. É o modo pelo qual Vermeer consegue a completa e laboriosa precisão na reprodução de texturas, cores e formas, sem que o quadro tenha jamais o aspecto de elaborado ou rude.”

Fonte

Comentário baseado em aulas do curso de Artes Visuais do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), 2016.

GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC Livros Técnicos e Científicos, 1995.
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