Memória, colonialismo, racismo, ancestralidade e histórias apagadas na mostra ‘O Barco’ de Grada Kilomba

Penumbra. Uma improvisação ao piano que lembra um réquiem. Blocos de madeira ritualmente queimados espalhados pelo chão. É esse cenário impactante que nos recebe ao entrarmos na exposição O Barco da artista portuguesa Grada Kilomba no Galpão do Sesc Pompeia, em São Paulo.

Os 134 blocos que compõem a instalação que dá nome à mostra estão dispostos no formato do casco de um barco, lembrando os navios negreiros e o tráfico que ceifaram a vida de tantos escravizados, silenciando suas vozes e suas dores.

A forma dos blocos remete a caixões e os versos em diversos idiomas de um poema da artista, inscritos em dourado, evocam lápides.

Além dessa obra, que faz parte da coleção do Inhotim, outras duas de autoria de Grada Kilomba integram a mostra: Compressed Time (Tempo comprimido) e Opera to a Black Venus (Ópera a uma Vênus negra), que tratam do tema do “oceano como um espaço de sepultamento de milhões de vidas perdidas, da escravização e do colonialismo às guerras, às mudanças climáticas e às migrações forçadas”.

É uma exposição profunda, forte e necessária sobre memória, colonialismo, racismo, ancestralidade e histórias que foram apagadas ou silenciadas.



Serviço:

Exposição “O Barco” – Grada Kilomba

Local: Sesc Pompeia (Galpão), Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo-SP

Data: De 22/09 a 25/10/2026

Horário: Terça a sexta, das 10h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Entrada gratuita.

Classificação: Livre

Imagens: Site do Sesc Pompeia e acervo pessoal da autora desse texto.

Comprando qualquer produto na Amazon através desse link – e sem pagar nada a mais por isso – você ajuda a manter o Artrianon: https://link.amazon/A0iy0WxoJ

Deixe um comentário