Alice Através do Espelho – Review

Texto originalmente publicado no Suco de Mangá

Alice Através do Espelho / Alice: Through the Looking Glass
Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen
Direção por James Bobin
Produzido pela Walt Disney Pictures, Roth Films, Team Todd e Tim Burton Productions e distribuído pela Walt Disney Studios e Motion Picture Aventura
Maio, 2016
113 minutos

Chegando por pouco a tempo, apesar de com um carro com um motor superaquecido e o desespero de que ele se torne um carro com motor fundido, estava determinada a esquecer toda a epopeia até a sala de cinema e desfrutar em toda sua magia Alice Através do Espelho.

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Nas primeiras cenas, o espectador se depara com um navio em alto mar perseguido por piratas. E nesse momento me perguntei: o que isso tem a ver com a Alice? Havia me esquecido que o pai dela era capitão de um navio e que no final do filme anterior, ela faz um acordo de negócios com o Lord Ascot, pai do noivo esquisitão com o qual ela não quis se casar. Um homem visionário que reconheceu o brilhantismo de Alice – uma mulher, aliás, uma menina – em plena era vitoriana. É importante dizer aos que não leram os livros de Lewis Caroll, nos quais ambos os longas são inspirados, que originalmente Alice é uma criança – como aquela que o autor realmente conheceu e na qual se baseou para escrever – enquanto que nos filmes, no primeiro, ela é adolescente seguindo para a vida adulta, e no segundo, aparece adulta, em plena independência, desbravando os mares.

Minha pergunta mental foi respondida logo mais, quando Alice, para meu deleite, aparece trajada em vestes de capitã e salva o dia. Inclusive, vale dizer que navios históricos foram usados para a filmagem.

Depois, rumando à Inglaterra e ali chegando, ela encontra sua mãe e se dirige para um baile na casa dos Ascots, vestida à moda chinesa, para espanto da alta sociedade, prestar contas de sua viagem. A partir daí, acontecerão suas novas aventuras no País das Maravilhas.

Nesse filme, os fãs que se preocuparam com a saída de Tim Burton como diretor, que, porém continua como produtor do filme, não tem nada com o que se preocupar. O espírito Tim Burtonlesco que marca o primeiro filme continua nesse, mostrando o mundo maravilhoso visitado por Alice com a mesma estonteante beleza e mistério de sempre. O figurino está divino – e super colorido – como de costume, assim como os cenários e a fotografia.

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Os personagens queridos – e os menos queridos – continuam por lá, interpretados pelos mesmos atores: o Chapeleiro Maluco e seus companheiros de hora do chá, o Coelho Branco, o Gato de Cheshire, Absolem, a Lagarta Azul, os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, Humpty Dumpty (aquele ovo com carinha, braços e pernas), o cachorro Bayard e até o mesmo a “monstra” Bandersnatch, salva no filme anterior pela nossa heroína de sua monstruosidade derivada do controle infligido pela irritante Rainha Vermelha. Aliás, ela também continua por lá, assim como sua irmã, a Rainha Branca ainda interpretada pela Anne Hathaway em um papel no qual nunca mesmo havia imaginado para ela, mas que de uma maneira estranha – que combina bem com o filme – ficou legal. Inclusive, quem assistir ao filme vai conhecer um pouco do passado das duas e entenderá porque a Rainha Vermelha é do jeito que é. Algo claramente em voga nos tempos atuais, que valoriza a psicologia e abandona o maniqueísmo irreal e sem explicação, sem mais fazer o vilão ser o vilão somente pelo gosto da maldade que lhe é inata. Hoje em dia, existe sempre uma razão para tal comportamento.

Personagens novos também aparecerão. Dentre eles o Tempo, personificação do próprio, que de maneira bastante caricatural tem sotaque alemão. Talvez uma brincadeira com a pontualidade alemã e os famosos relógios suíços, sendo o alemão uma das línguas oficiais da Suíça.

Em comparação ao filme de 2010, acredito que a história esteja mais “crescida”, assim como Alice. Ela trata de negócios e é a capitã do navio. Não é mais a adolescente do primeiro volume; é uma mulher tão inteligente e determinada quanto à criança que foi, porém mais madura e pronta a enfrentar os desafios do mundo adulto – claro que à sua maneira de Alice que veste trajes chineses em um baile de gala vitoriano – contemplando sempre a idea de que o impossível só é impossível se você acreditar que é.

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