OBRA DE ARTE DA SEMANA: O Grande Nu de Amadeo Modigliani

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Amadeo Modigliani, O Grande Nu, óleo sobre tela, 73×116 cm, 1917. Conservado no Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA.

Quando analisamos uma pintura de nu feminino, nos deparamos com duas motivações distintas: a primeira que mexe com nossas emoções por ser demasiadamente erótica, onde claramente o artista retrata suas paixões e desejos carnais e sem utilizar de emoções superiores ou paixões puramente artísticas, mas representando puramente a plasticidade dos corpos, como é o caso da pintura realista de Gustave Courbet ou Lucian Freud. E a segunda motivação, são os nus que exploram o corpo feminino de forma sublime, de maneira quase musical, harmônicos e que ao invés de chocar, emocionam homens e mulheres pela leveza com que são apresentados, como é o caso da pintura de Diego Velázquez, Giovanni Botticelli etc.

Modigliani foi um artista conhecido por se entregar a vida boêmia parisiense e esse era o seu tema principal. Seus nus pertenciam em grande quantidade à primeira motivação, os prazeres carnais, aos quais o artista dedicava boa parte de seu tempo livre.

Justamente por esse motivo que “O Grande Nu” é uma das obras-primas de Modigliani. Em uma das primeiras monografias dedicadas ao pintor italiano, Giovanni Schewiller descreve que foi uma das poucas obras em que o artista “transferiu seu gozo estético e, como um místico que prega diante do leigo, ele adora a mulher e por meio de seu desenho precioso, sua pincelada refinadíssima, traz à vida toda sua dolorosa fragilidade…”.

Obviamente, a visão de Schewiller era fruto do pensamento de 1925, ano em que sua monografia foi publicada. Analisando hoje sua obra, podemos levantar a teoria que em “O Grande Nu” Modigliani foi arrebatado pela beleza das formas femininas e isso esta explícito no caráter monumental que o artista confere à obra, que não voltaria a se repetir durante sua carreira.

A pintura é executada na horizontal, de maneira extremamente suave e harmônica. As curvas acentuadas e o semblante suave da figura “esparramada” pela tela, ao mesmo tempo em que transmite suavidade, nos força a caminhar com o olhar por toda a extensão do corpo. A escolha da posição do perfil e a tranquilidade no semblante eliminam o caráter provocativo e erótico desse gênero de pintura. O corpo luminoso contrasta fortemente com os castanhos e vinhos da superfície sob a qual a figura repousa, criando mais uma vez uma um contraposição entre a motivação carnal e espiritual.

Em “O Grande Nu”, Modigliani consegue, sem nenhuma referência, celebrar grandes artistas e obras consagradas, como, por exemplo, “A Maja Nua” de Goya ou “A Vênus de Urbino” de Ticiano, mas retirando o elemento erótico dessas pinturas (em ambas, as modelos encaram o observador) e de forma livre, nos oferece um nu feminino puro, sensível e poderoso, no auge da arte moderna.

Fonte da imagem:

pt.wikipedia.org/wiki/Amedeo_Modigliani#/media/File:Amedeo_Modigliani_-_Le_Grand_Nu.jpg

 

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