Por que insistem tanto em censurar a arte?

Você com certeza já ouviu falar de um livro ou filme chamado “Laranja Mecânica”, certo? Dirigido por Stanley Kubrick, trata-se de uma adaptação homônima da obra do linguista Anthony Burguess que aborda um futuro extremamente violento. A crítica de Burguess, e que está presente também no filme, pode ser direcionada para o modelo bahaviorista proposto por Skinner, a famosa teoria do “estímulo-resposta”. A violência, portanto, era uma forma de expor as falhas do modelo comportamental desenvolvido nos Estados Unidos e aplicado em várias instituições, tendo como foco, principalmente crianças e adolescentes.

“Laranja Mecânica” foi lançado em 1971 e, como se sabe, a ditadura militar vigorava em terras tupiniquins. O resultado disso tudo? Médici, o presidente em exercício, proibiu a exibição do filme em nosso território e a obra de Kubrick só foi nos dar o ar da graça em 1978. A justificativa da censura? “Uma obra muito violenta”.

E foi assim, com várias justificativas superficiais, que se proibiram peças de teatro como Romeu e Julieta do Ballet Bolshoi, as 33 de 36 obras de Cassandra Rios ou a música “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré. A favor da “moral e dos bons costumes” e “dos cidadãos de bem” muitas obras foram proibidas na ditatura. O mesmo ocorreu durante a Alemanha nazista e em vários outros momentos da história da humanidade.

Apesar dos exemplos acima envolverem regimes de caráter totalitário, a censura não é uma exclusividade destas formas de governo, embora sejam mais explícitas e constantes. Um bom exemplo é a recente recusa do Museu de Louvre de uma obra artística. Segundo a curadoria do museu mais famoso do mundo, a obra “Domestikator” não poderia ser aceita porque apresentava “conotação sexual”. E, não preciso explicar sobre o “Queermuseu” no Brasil, certo? A grande questão que fica é: por que a arte se tornou alvo de uma grande ofensiva pelo mundo?

Antes de pensarmos na questão acima, devemos tentar responder sobre o que é a arte e qual a sua função no mundo em que vivemos? Se partirmos de uma perspectiva crítica, pode a arte ser uma das poucas coisas capazes de questionar as “normalidades do mundo”? Pegar tudo aquilo que naturalizamos e virar do avesso e, dessa forma, mostrar que aquilo tudo que acreditamos desde criança, ao ser exposto em forma de arte, parece um tremendo absurdo. Posso considerar esse o papel da arte?

Se sua resposta for algo próximo dos questionamentos acima, a arte é, portanto, capaz de nos fazer questionar, isto é, pensar. Ou pensar é simplesmente ler e decorar inúmeros pensamentos consagrados e citá-los em nossas argumentações? Eu acredito que não. Mas, por que pensar? Por que questionar as coisas que estão prontas se isso é capaz de mudar tudo em minha vida, inclusive para pior? Por que pensar em soluções próprias, se tenho movimentos que agora dizem conhecer tudo sobre arte? Ou ainda melhor: existe os chamados coachings que me entregam todo um roteiro, passo a passo, para se alcançar a felicidade no trabalho, com o marido/esposa e a família etc.

Depois de todas essas perguntas, deixo mais uma: por que insistem tanto em censurar a arte?

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