Nós amamos os bandidos

Na grande maioria das vezes, a justificativa que damos para idolatrar um artista é a mesma: a originalidade. O que realmente quer dizer originalidade? E o que faz o artista ser esse único ser de uma tal arte? No fundo sabemos a resposta: de originais, eles não tem nada. Mas fique calmo, não estou aqui para insultar seu ídolo, pelo contrário, só os verdadeiros artistas não são originais, são na verdade, bandidos! E o livro “Roube Como Um Artista – 10 Dicas Sobre Criatividade” explica isso da melhor forma.

O livro escrito por Austin Kleon, explica como roubar ideias, frases, situações do cotidiano e até artistas consagrados para colocar no que vamos produzir, nos tornando artistas genuínos. Além disso, ele separa dez dicas para nos ajudar a roubar, criar e encarar o mundo da melhor forma possível.

São elas:
1 – Roube como um artista
2 – Não espere até saber quem você é para poder começar
3 – Escreva o livro que você quer ler
4 – Use as mãos
5 – Projetos paralelos e hobbies são importantes
6 – O segredo: faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas
7 – A geografia não manda mais em nós
8 – Seja legal (O mundo é uma cidade pequena)
9 – Seja chato (É a única maneira de terminar um trabalho)
10 – Criatividade é a subtração

A verdade é que são dicas bem simples, mas são elas que geralmente você subestima e deixa de lado, afinal, quem pensaria em sugerir roubar um artista assim de cara? Bom, os inteligentes. Nós temos tantas conexões e relacionamentos diariamente que seria muito estúpido não prestarmos atenção em como o mundo se comporta a nossa volta, o que falam, suas ideias e como reagem a outros artistas. São essas coisinhas normais, como ver o nascer do sol ou assistir um pássaro voando que podem dar aquele estalo e te fazer pensar: como eu não pensei nisso antes?

Existem também os artistas que você ama e que provavelmente você diz que te inspiram, mas Austin sugere que no começo inspiração é pouco, você deve copiá-los de forma incessante, até entrar na mente deles e analisar como eles pensam. Mas ele também avisa que copiar é diferente de plágio e que é copiando que você vai notar que não consegue produzir igual a ele, e assim vai descobrir a sua singularidade, um meio termo entre suas inspirações e você.

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Apesar de parecer um livro super positivo, ele na realidade é bem “pé no chão”, ele te mostra claramente como é a vida e como você deve se adaptar a ela para ser criativo. Como ele fala no segundo capitulo: Não espere até saber quem você é para poder começar.

Nós não nascemos perfeitos e a grande maioria das pessoas que você julga geniais são seres tão indecisos quanto você agora lendo esse texto e pensando na sua vida. Somos pequenos Frankensteins, uma grande junção de outras pessoas e isso vem desde os nossos pais, que nos criam diante das percepções deles e por muito tempo os achamos originais e únicos, quando eles também são outros pequenos Frankesteins. Você pode (e deve) fazer uma árvore genealógica das suas inspirações, buscando onde e em quem elas se inspiraram e onde as inspirações deles se inspiraram, indo até onde é possível. Austin fala que fazendo isso, você se tornará duas vezes mais criativo e artista.

“A Arte é Furto” – Pablo Picasso

O livro é bastante didático, ele passa a impressão boa de estar tendo o famoso “papo de bar” com você, passando dicas para buscar mais criatividade e se inferiorizar menos. Por ser um livro relativamente “novo” (ele foi lançado em 2012) ele fica longe de ser datado, principalmente quando explica que por mais benéfico que seja a tecnologia, é necessário forçar mais a escrita e outros afazeres com as suas próprias mãos, para nos encontrarmos melhor com nós mesmo. Vale a tentativa e talvez por isso vemos tantos jovens buscando essas tecnologias mais obsoletas.

Se você duvidar de tudo isso que ele está falando e ainda acreditar que a sua inspiração é única nesse mundo (o que realmente ela é, mas não original), você pode ler as diversas frases que ele deixa no livro,  de alguns famosos que protegem essa ideia de roubar. Que vão desde David Bowie até Salvador Dali. Por fim, se você amar o livro, vai querer consultá-lo inúmeras vezes, principalmente quando passar por um bloqueio criativo.

“O que é originalidade? Plágio não detectado” – William Ralph Inge

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