Sobre “Stairway to Heaven” e “Since I’ve Been Loving You”

Gosto muito de Led Zeppelin já há algum tempo. E também há algum tempo venho pensando em algumas coisas sobre duas músicas antológicas da banda, são elas “Stairway to heaven” do disco IV e “Since I’ve been loving you”, do disco III. Nesse texto vou analisar sumariamente elas duas, olhando praticamente só para a melodia e especificamente para a guitarra de Jimmy Page, buscando apontar relações entre a forma e o conteúdo, em outras palavras, entre a letra e a maneira como a melodia, a entoação (o jeito que se canta, mais alto, baixo etc.) e a música instrumental se relacionam. No próximo texto, em breve, farei a análise completa, com letra e tudo mais. Me baseio nas execuções das músicas no show que virou filme The song remains the same, 1976, dirigido por Peter Clifton e Joe Massot.[1]

Na primeira, dividida em três partes (devo isso a ótima síntese que meu pai me fez um dia, dizendo que tem três músicas dentro de “Stairway to Heaven”) acompanhamos o crescendo até o limite, que é o solo, e então ao rock n’ roll da última parte. A música inteira parece caminhar subindo uma escada, fazendo relação com o título, que significa, em bom português, ‘escada para o paraíso’. Até a maneira como se toca a primeira parte (dedilhado) lembra uma subida (e descida). Pois bem, a música vai subindo, no início somente com teclado (John Paul Jones) e guitarra (com a double neck, a que tem dois braços, Jimmy Page consegue tocar violão e guitarra, sendo essa primeira parte na verdade com o violão) e claro a voz de Robert Plant.

O primeiro ponto de inflexão é lá pelos 5 minutos de música, marcado pela entrada da bateria de John Bonham e então Plant canta “If there’s a bustle in your hedgerow” ([Se houver um alvoroço na sua sebe] início da 5ª estrofe). A música seguirá com ritmo acelerado, com “compasso” forte da bateria, até o segundo e mais importante ponto de virada, que é o solo maravilhoso de Jimmy Page, nessa versão estendido em quase 1 minuto. No solo ele vai subir e descer milhares de vezes, indo e voltando na construção até que desemboca no terceiro ponto que é a volta do vocal e a mudança de ritmo (quase de gênero), agora sendo um rock mais pesado. A música termina, nesse show, voltando ao início melódico, praticamente silêncio só com a voz de Plant ecoando na eternidade (do paraíso?).

Quanto à “Since” me deterei somente num aspecto que considero genial. No solo (que antes de surgir já vinha em pequenas mas fortes irrupções nos intervalos do canto, típico do blues) Jimmy Page vai subindo sem parar as notas, abafando o som cada vez mais e, justapostos, dão uma sensação de sufocamento[2], para, em seguida, avançar umas 10 casas (da guitarra, ou seja, mais próxima do corpo, logo mais agudo) e então aliviar a tensão com uma sequência aguda, parecendo demonstrar que o eu da canção voltou a respirar depois de um breve sufoco. Pois bem, meu ponto é que, depois do solo, entra Robert Plant e canta “oooooh I’ve been crying” [Oh, eu estive chorando.]. Quando choramos forte, soluçando, chegamos a perder o fôlego, e parece que isso está simbolizado antes, antecipado, na música, pelo solo de Page.

Brevemente são esses alguns aspectos que acho interessante analisando a relação forma-conteúdo. Para o Led Zeppelin, sendo uma das maiores bandas o mundo, isso certamente não é nada, mas é muito interessante.

Rodrigo Mendes

[1] Músicas disponíveis em: <https://www.youtube.com/watch?v=xbhCPt6PZIU> e <https://www.youtube.com/watch?v=oBvxhp4JAe4>

[2] Precisamente 5 minutos e 20 segundos do link acima.

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