OBRA DE ARTE DA SEMANA: O artesanal e o digital em ’12-Manifold’ de Channing Hansen


Channing Hansen, 12-Manifold, lã tingida e fiada manualmente, 96,5 x 150 cm, 2017.

Conheci o trabalho de Channing Hansen na última SP-Arte, no stand da galeria inglesa Stephen Friedman Gallery. Fiquei apaixonada à primeira vista pelas cores e vivacidade das três obras expostas na ocasião, e fiquei ainda mais admirada depois que o conceito delas me foi explicado. Trata-se de uma interessante colaboração entre o artesanal e o digital, já que a trama é determinada por um algoritmo que guia as agulhas de tricô do artista, que é considerado um polímata, pessoa que possui conhecimento em diversas áreas, no caso, artesanato, ciência e tecnologia. Ele começou a tricotar há dez anos, no intuito ocupar sua mente inquieta quando não estava trabalhando em seu atelier, e não parou desde então, incorporando esse novo conhecimento em seu trabalho.

O processo artesanal começa no processo de preparação do material, no tingimento e no fiar da lã, totalmente realizado pelo próprio artista. Os pigmentos usados, inclusive, são desenvolvidos em parceria com um amigo cientista que também trabalha na NASA. Em seguida, ele tricota baseando-se no algoritmo de computador, que determina o motivo, a cor, a fibra – lã, seda, mohair, entre outros – e o tipo de ponto baseado na composição do DNA do próprio artista, no caso de seus trabalhos mais recentes. Finalmente, essa “pintura”, como chama seu criador, é colocada sobre um chassi em madeira, similar ao das telas tradicionais, podendo o espectador entrever os detalhes da estrutura pelos espaços na trama. O resultado final é uma surpresa, dado que é revelado somente quando o material é esticado sobre a madeira.

Sobre o título da obra, a palavra “manifold” em inglês significa múltiplo, variado, diverso, multifacetado, mas também significa “variedade”, assim como o conceito matemático.

Segundo Hansen, “técnica resolve questões, arte as pergunta”. Assim, suas obras são janelas abertas de possibilidades, tal como pinturas seriam, segundo Da Vinci, outro polímata, janelas abertas para o mundo.

Suas obras vagam entre desenhos, pinturas e esculturas; mas essas classificações não importam, já que, segundo ele, citando Robert Irwin, “Para ser uma artista não é uma questão de fazer pinturas ou objetos de maneira nenhuma. O que nós realmente estamos lidando é com nosso estado de consciência e a forma de nossas percepções.”

Fontes:

“Channing Hansen” in Hammer Museum, [Online]. Consultado em 07/05/2018.
https://hammer.ucla.edu/made-in-la-2014/channing-hansen/

“Channing Hansen” in Stephen Friedman Gallery, [Online]. Consultado em 07/05/2018.
http://www.stephenfriedman.com/artists/channing-hansen/

“Channing Hansen” in Artsy, [Online]. Consultado em 07/05/2018.
https://www.artsy.net/artist/channing-hansen

Emily Gosling, “Channing Hansen” in Creative Boom, [Online]. Consultado em 07/05/2018.
https://www.creativeboom.com/inspiration/channing-hansens-wonderful-knitted-artworks-prove-hes-so-much-more-than-just-becks-brother/

Fontes das imagens:

Stephen Friedman Gallery

https://www.creativeboom.com/inspiration/channing-hansens-wonderful-knitted-artworks-prove-hes-so-much-more-than-just-becks-brother/

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