LUCIFER: O diabo que amamos

Na TV desde de Janeiro de 2016, Lucifer, é uma série norte americana recheada de suspense, drama policial, crimes misteriosos, fantasia, e com aquela pitada de humor ácido, protagonizada nada mais, nada menos, do que por ele, o próprio Diabo, “Luci”, para os íntimos. Assim, as duas primeiras temporadas da série encontram-se disponíveis na Netflix, e, a terceira temporada, para a alegria de todos nós, estreia amanhã no Canal Universal, às 23h. Com o cancelamento da série após essa temporada anunciado pela Fox, os fãs criaram uma hashtag em protesto: #saveLucifer.

Pois bem, toda a trama se inicia quando ele, Lucifer Morningstar, o senhor do inferno, interpretado por Tom Ellis, cansa de sua rotina de punição no Inferno e abandona seu trono para tirar umas férias em Los Angeles, sempre muito bem acompanhado de sua fiel escudeira, Mazikeen, sua “demônia” de confiança. Assim, ao chegar à cidade, Lucifer decide abrir seu próprio negócio, onde a ambientação lhe lembrasse o próprio inferno. Ora, nada mais apropriado do que ser dono uma das casas noturnas mais badaladas de Los Angeles, a Lux, que é repleta de luxúria e todas as formas de prazer, tendo como foco principal, seu piano, junto do qual, Lucifer passa boa parte de sua estadia na Terra.

Curioso o fato, de que ao decorrer da trama, Lucifer torna-se consultor civil da polícia de Los Angeles, tendo como parceira Chloe Decker (Lauren German), uma encantadora humana, que mexeu com o coração do nosso estimado diabo. Entre idas e vindas, no meio de toda investigação, Luci inicia um tratamento com a terapeuta, Linda Martin (Rachael Harris), acabando por descobrir diversos problemas com sua persona, e sua família, sobretudo, com o próprio Deus, seu pai.

Em breve adendo à história de Lucifer, este sempre foi muito temido e criticado por toda a humanidade e por algumas religiões, sobretudo as cristãs, por ser a figura paterna do mal, por convencer os humanos a cometerem coisas ruins, e por ser o responsável pela punição daqueles que pecaram em vida, que cometeram qualquer forma de mal a pessoas inocentes. O que alguns acabam por esquecer, é que Lucifer nem sempre foi uma figura coadunada com o mal propriamente dito, ao contrário, Lucifer foi um dos primeiros anjos criados por Deus, seu pai, e, diga-se de passagem, seu preferido. Curioso o fato, de que de todos os anjos existentes, Lucifer chamava a atenção por ser dono de uma beleza rara e majestosa. Infortuno o momento em que Lúcifer pecou, deixando sua beleza “subir à cabeça”, julgando-se superior a seu pai, instante em que tomou a iniciativa em instaurar uma rebelião contra o próprio Deus da criação.

A guerra se iniciou, o caos fora instaurado, e o exército criado e comandado por Lucifer não foi suficiente para vencer os anjos liderados pelo Arcanjo Miguel. Assim, Lucifer acabou sendo expulso da casa de seu pai, momento em que passou a governar o Inferno.

Inferno, afinal, o que é? Como é? Crê-se no Inferno como algo abstrato, efêmero, que muda de concepção de pessoa para pessoa. Ora, para Dante Alighieri, O Inferno era um lugar gélido, sem vida, e não aquele cenário robusto de fogo, pecados, paixões e, ódio. Às vezes, para uma determinada pessoa, Inferno pode simplesmente ser um momento vivido em sua vida, seja por uma tragédia presenciada, por uma fatalidade, ou a existência daquele péssimo sentimento por ter feito mal ao próximo.

Pois bem, a série televisiva Lucifer, nos traz todos estes conceitos de uma forma diferenciada, que nos faz pensar naquilo que realmente é mal ou não, e que para todas as atitudes tomadas nesta vida, em um momento ou outro teremos que enfrentar suas consequências. Para que isto nos fosse passado de uma forma divertida, clara, e que nos entretece, nota-se no decorrer dos episódios, uma célere desconstrução da figura do Diabo.

A série não retrata o Diabo como aquela fera temida por todos, de rosto deformado, chifres, rabo pontudo, segurando seu tridente, como todos nós imaginamos (claro, é uma série de televisão, então rola aquela pitada de fantasia para aguçar nossa psique), mas mostra um quase homem, adulto que, por mais que seja “Rei do Inferno”, encara problemas como qualquer outro reles mortal que enfrenta a vida em um lugar onde ninguém acredita ser quem ele realmente é, e que não é a encarnação do mal como todos pensam. Nota-se, que Lucifer possui traços oriundos de uma pessoa narcisista, rejeitada pelo próprio pai e por todo um mundo, o que faz com que ele tenha seus sentimentos cada vez mais à flor da pele, o que lhe causa diversas confusões com seu eu interior, fazendo inclusive com que negue a ideia de retornar ao seu Reino.

Por fim, creio que a série Lucifer nos transmite uma mensagem no sentido em que todos nós, por mais que tenhamos uma robusta casca nos protegendo, no fundo sempre seremos vulneráveis ao nosso maior diabo, nossa mente. Mostrando ainda que, na verdade, a origem do mal não é a influência nociva do Diabo e suas tentações, mas sim os próprios atos e escolhas dos seres humanos.

“Como caíste deste o céu, Ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.
E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo”.

Isaías 14:12-15

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