Por que ler ‘Mantendo um olho aberto’ de Julian Barnes

Mantendo um olho aberto, Julian Barnes.

Editora Rocco, 276 páginas.


Mantendo um olho aberto
, do britânico Julian Barnes, captou minha atenção pelo seu título, que me lembrou de um dos primeiros livros que li quando estudei história da arte na faculdade: On n’y voit rien (Não vemos nada, em tradução livre), de Daniel Arasse. A referência de ambos ao olhar quando da observação de uma obra de arte vai muito além do óbvio. Na verdade, uma das coisas mais difíceis de fazer ao contemplar, por exemplo, uma pintura em um museu ou galeria é precisamente fita-la com atenção. O espectador, após uma rápida olhadela, sai em busca, de maneira quase desesperada, de uma etiqueta com indicações de título, autor, data, etc. Se houver então um painel explicativo com um pequeno texto, melhor ainda! E dessa forma passa-se mais tempo lendo sobre as obras nas exposições do que as vendo. Entenda-me, leitor, não digo que ler sobre arte não seja importante, afinal essa é uma resenha de um livro sobre arte – chegaremos lá! –, mas olhar a obra detidamente, tentando captar seu significado, seu sentido, o sentimento que nos causa, é essencial!

Dessa forma, comparo Arasse e Barnes, pois acredito que ambos se interessam por aspectos das obras que exigem o olhar atento do espectador; Arasse foca em detalhes e símbolos, enquanto Barnes, em seus ensaios agrupados em Mantendo um olho aberto, nos apresenta uma visão da arte que vai muito além das críticas complicadíssimas e vazias que frequentemente lemos sobre arte contemporânea. Ele fala sobre as obras, é claro, mas também conta histórias, anedotas sobre os artistas, sua maneira de criar, sobre aspectos menos conhecidos de sua criação, tudo de maneira natural e nada sensacionalistas – como muitas vezes acontece quando se fala da vida particular de criadores. O fato é que Julian Barnes não se dedica somente a escreve sobre arte, ele é romancista, e assim, leem-se seus ensaios como se leria, por exemplo, um livro de contos leve e agradável.

Outro motivo pelo qual me interessei pelo livro foi pelo fato de que eu procurava uma leitura de arte que pudesse ser adequada aos não especialistas e iniciantes no assunto arte, pois alguns inscritos do meu canal do Youtube, o Art Insider – a foto de capa é proveniente de lá, e um link para o vídeo estará ao fim desse texto – me pediram sugestões nesse sentido. Acontece que, frequentemente, no Brasil, livros de arte são caros. São lindos, cheios de fotografias coloridas, capa dura, verdadeiros objetos de coleção, entretanto, muitas vezes o belo layout vem acompanhado de texto complexos, outras vezes de escrita desinformada, ou simplesmente o preço da edição acaba não possibilitando a tantas pessoas o seu acesso. Nesse sentido, gostei bastante da escolha da editora de colocar fotografias em preto e branco das obras sobre as quais Barnes escreve em Mantendo um olho aberto, e, assim, o que temos é um livro sobre arte acessível, tanto do ponto de vista da escrita, quanto do preço. O leitor terá uma ideia das obras sobre as quais são faladas, e, se quiser aprecia-las em cores, detalhes, e afins, o Google imagens está aí para isso.

Apesar de ser um livro de escrita agradável e acessível aos leigos, o leitor mais entendido sobre arte também poderá ter novas informações sobre artistas não tão conhecidos, como, por exemplo, Vuillard ou Hodgkin, este último, inclusive eu não conhecia e acabei conhecendo através dessa leitura. De maneira prática, o que temos, então, é um material, sobretudo, sobre pintores, um capítulo de algumas páginas sobre cada um, desde o final do século XIX, começando com Delacroix, e passando por grandes nomes tais como Cézanne, Braque, Magritte, até Lucien Freud – sim, ele é neto do inventor da psicanálise – e Hodgkin, que encerra o livro. Aliás, acho que o fato de o livro incluir Braque e Magritte, respectivamente cubista e surrealista, é bastante interessante, pois, é muito comum que os leigos conheçam Picasso e Dalí, mas não façam ideia da existência dos outros dois. Ou seja, é uma leitura deliciosa tanto para os conhecedores, quanto para os poucos entendidos, quando o assunto é arte.

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