Os livros mais marcantes de 2018

Perguntamos aos colaboradores do Artrianon qual foi a leitura feita em 2018 que mais marcou. A ideia era a de que cada autor e autora escolhesse, apontando como sugestão, um dos livros que foram lidos no ano passado. O pedido foi algo como: “diga um livro que você leu em 2018 e indica como sugestão de leitura” – não necessariamente o melhor, mas um que marcou bastante. As respostas dadas são as que aqui seguem, ficando como indicações aos leitores.

Paulo Silas Filho

Aline Pascholati


“Papéis Avulsos”, de Machado de Assis: A leitura ou releitura dos clássicos é sempre proveitosa. Machado de Assis, nosso maior escritor, desvelou a sociedade escravocrata de “seu tempo e de seu país, mesmo escrevendo sobre assuntos longe no tempo e no espaço”. Mais ou menos assim é sua frase em ensaio clássico que escreveu alguns anos antes de publicar Papéis Avulsos, livro que inaugura sua segunda fase nos contos. Neste livro muitas vezes engraçado e cheio de ironia, Machado contextualiza suas histórias no Japão do século 16; nas “antigas crônicas de Itaguaí”; no tempo de Noé em uma paródia da Bíblia. Tudo isso para poder falar, em (im)perfeito realismo e uma criatividade incrível, da sociedade e da cultura brasileira do século 19. (Rodrigo Mendes)

 

 

“O Peso do Pássaro Morto”, de Aline Bei: O livro de Aline Bei é surpreendente. Marca o leitor – e pelas mais variadas razões. O enredo pode enganar num primeiro momento pela sua aparente simplicidade – até porque a história é curta. Mas há todo um peso presente em cada uma das pequenas linhas que compõem a obra. Há uma profundidade que se alcança com êxito. O âmago dos sentimentos sufocados pela protagonista é transmitido pelas palavras de forma brilhante. Viver sabendo que não há cura, portanto, só resta viver – é disso que se trata o livro, arriscando aqui uma opinião sobre. A protagonista é uma peculiar prova disso. Com seus erros e seus acertos, segue vivendo ao próprio modo – sempre de cabeça erguida, por mais que seu íntimo force que a abaixe. É um belo livro com uma bela, porém, trágica história. Destaque para a forma escolhida pela autora para escrever a obra: é um poema-romance, uma longa poesia-romanceada, ou algo assim. Estranha-se no início, mas logo nas primeiras páginas o leitor se acostuma e gosta daquela forma curiosa de se separas as palavras na página. Um livro que agrada, choca e sensibiliza o leitor. Vale, e muito, a leitura! (Paulo Silas Filho)

 

“Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e ritos”, de Johnni Langer: O ‘Dicionário de mitologia nórdica’, organizado pelo Johnni Langer, pesquisador brasileiro, é minha escolha como melhor leitura de 2018, pois, além de ser delicioso de ler, diferente dos dicionários tradicionais, contém informações precisas sobre a era viking, com a contribuição de textos de acadêmicos de diversos países. (Aline Pascholati)

 

“O Auto da Maga Josefa”, de Paola Siviero: O Auto da Maga Josefa, de Paola Siviero, narra as aventuras de Toninho, um caçador de demônios, e a misteriosa maga Josefa, personagens que se unem para combater as maldições fantásticas do Sertão Nordestino. Cada capítulo é tomado pelo suspense da presença de uma criatura fantástica e, por entre chupa cabras, fantasmas, lobisomens, acompanhamos com tom episódico a resolução de cada uma das caças dos dois personagens, além do arco de amizade entre Josefa e Toninho. A obra tem uma narrativa fluida, muito agradável e divertida, que logo cativa o leitor e estabelece um vínculo com seus protagonistas. Ler O Auto da Maga Josefa foi um encontro doce com o melhor da fantasia brasileira. Publicado em formato digital na Amazon pela editora Dame Blanche em 2018, o lançamento traz um frescor muito bem-vindo à literatura contemporânea quando apresenta um enredo de tema fantástico que se passa no Nordeste, com personagens e situações coerentes no cenário brasileiro. Os personagens são adoráveis e a escrita de Paola Siviero reúne do cômico ao poético, entregando horas deliciosas de leitura. (Marina Franconeti)

 

Breve Romance de Sonho, de Arthur Schnitzler: A narrativa se desenrola a partir da noite em que, após voltarem de uma festa, um casal vienense, jovem e bem-sucedido tem uma conversa inédita, na qual os dois revelam suas fantasias e as quase aventuras extraconjugais que viveram no verão anterior, quando passavam as férias na Dinamarca. O marido, que é médico, é chamado no meio dessa mesma noite para atender um paciente em estado terminal. Ao sair da casa, tem início a jornada do personagem que, pela primeira vez, se dá conta do lado sombrio de sua cidade e das histórias secretas que vêm à tona após o anoitecer. Durante a leitura percebi que a história não era desconhecida para mim. Ao longo da narrativa descobri de onde a conhecia: o filme De olhos bem fechados (1998), de Stanley Kubrick, foi baseado no livro de Schnitlzer. (Fernanda Mellvee)

 

“O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald: Janeiro de 2018 foi um mês dedicado aos clássicos, entre eles aquele que entrou para a minha lista de queridinhos, a grande Gatsby. Um livro que realmente exala a magia da literarura, numa junção de palavras que realmente transmite o clima e o sentimento da história. Num contexto em que tudo se faz por amor e tudo se perde pelo mesmo. Uma história cativante e completa. (Marina Mendonça)

 

“Como Treinar o seu Dragão”, de Cressida Cowell: O melhor livro que li ano passado foi Como treinar o seu dragão, de Cressida Cowell. Na minha opinião, o livro é mais legal do que o filme inspirado nele, que foi produzido pela DreamWorks e lançado no cinema em 2010. Ele descreve mais os personagens, as cenas de ação… O meu personagem favorito é o Banguela. O livro tem 19 capítulos e vários personagens super legais. (Melissa Mellvee)

 

“Drácula”, de Bram Stoker: O livro que indico das minhas leituras de 2018 foi na verdade uma releitura. Eu já tinha lido Drácula lá em 2008, porém foi uma versão traduzida, pois na época eu ainda não era bem fluente em inglês e o livro foi presente de Natal do meu irmão, que sempre me dava muitos livros durante a adolescência. Na época já me encantei com a história e com os personagens. A atmosfera do romance é construída lentamente, através da troca de cartas e da escrita de diários dos personagens. Em 2018, ao ler o romance no original, em inglês, tive uma impressão nova (o que fazem os clássicos, não é mesmo? A cada releitura, uma nova perspectiva!), pois pude notar como Stoker mostra, através da linguagem, as diferentes personalidades de cada personagem. Apesar de o estilo de escrita não mudar tanto, com exceção da fala de um camponês, vemos como os diários do Doutor Seward são mais técnicos, enquanto os de Johnatan e Mina Harker mais emocionais, ainda que com um grau de estabilidade emocional bem definido, porém, os diários e as cartas de Lucy demonstram ainda mais emoção e uma personalidade um tanto a frente de seu tempo. Enfim, é um romance marcante, em que temos a consolidação da figura do vampiro da literatura. Porém, não pense que o Drácula aparece muito ou que o romance se passa no castelo. As cenas com o vampiro presente fisicamente são poucas, mas o poder que ele exerce sobre todos os personagens é forte, o que faz com que sua existência seja sentida a cada palavra, como sangue a correr por dentro das letras. (Amanda Leonardi)

 

“O rei de Havana”, de Pedro Juan Gutiérrez: Eu adoraria escrever que o livro é um relato extremante interessante sobre uma Havana, que a meu sentir, está absolutamente distante do que chega até nossos ouvidos filtrados. O filtro nem é o pior. Seria pior se Havana fosse o que pensamos que ela é. Havana é um mundo de paradoxos. E dentro desse mundo de paradoxos há também o mundo dos preconceitos preconcebidos por pessoas que não vivem em Havana. Que sequer estiveram na ilha. Pior ainda. O regime político dentro do qual está inserido a ilha, desconhecido pela maioria das pessoas, é, no entanto, o tema principal de conversas políticas. O livro tem a seriedade de mostrar e expor uma Havana que está longe dos manuais marxistas e ou de socialismo acadêmico. Há ali uma comunismo da cidade. Ela é comum. E do comum. Do que não é imposto. Qualquer cria sua cidade. Havana então tem um rei. Que não é político. Vence os debates com seu pau e arrebata corações com a verdade que brota do cheiro da rua. Dos prédios abandonados que denunciam o bloqueio norte-americano, dos pequenos crimes que sustentam a vida em sua mais plena paz. O livro mostra Havana por dentro. Não tem mística. A vida é plena. Não há concessões. Mostra que um regime nunca é uma peça de metal que possa ser tornado uma lâmina de metal fina. Porque dentro dos regimes existem pessoas. Que gozam. Choram. Riem. Trepam. Roubam. Por amor. Por fome. Por desdém. Mas há mais no livro. Sem ele. Não conheceríamos nunca o rei de Havana. Aliás. Um rei sem coroa. Que tem aquilo que os cubanos em geral têm. A plenitude de serem únicos. Livres. Presos. Felizes. Tristes. Paradoxalmente singulares. Resistentes. Com rei e ilha próprios. (Bernardo G. B. Nogueira)

 

“Os Contos”, de Lygia Fagundes Telles: Uma obra maiúscula. É tudo o que se pode dizer a respeito da reunião de todos os contos escritos por Lygia Fagundes Telles, uma das maiores escritoras brasileiras. Nesse livro, encontra-se a prova viva de que, além de romancista talentosa, Lygia domina como poucos a difícil arte do conto. Seja flertando com o fantástico ou passando por situações repletas de desespero contadas com parcimônia e emoção contida, o livro apresenta uma produção exuberante e inesquecível, que vai desde o exotismo de “Antes do baile verde” até as reflexões ponderadas de “Um coração ardente”. “Os contos” reúne a produção integral de uma escritora que, não interessa quanto tempo passe, se mantém atual e urgente. (Gustavo Melo Czekster)

 

“A Vênus das Peles”, de Sacher-Masoch: A Vênus das Peles, de Sacher-Masoch é objeto de polêmica e fascinação desde 1870. De lá até aqui, a obra do austríaco é influência para a música (“Venus in Furs”, Velvet Underground), estudos psicanalíticos (Freud foi quem se interessou e muito pela obra) e, claro, muitas inspirações eróticas (práticas Bdsm em oposição ao mundo baunilha). Seja pela curiosidade quanto ao masoquismo (sim, o autor consagrou o termo a partir dessa obra) ou mesmo fins didáticos (estudos da psique), A Vênus das Peles continua instigante e com uma narrativa capaz de questionar a natureza e o desejo humano. (Rafael C. de Oliveira)

 


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