O Auto de São Francisco, de Ciro Barcelos, estreia no Teatro-D

Definido como um auto musical, Ciro adaptou sua obra para três atores: o músico André Perine; a atriz e cantora Patricia Barbosa e ele próprio, que protagoniza e dirige.

Em ‘O Auto de São Francisco’, que estreia em 5 de março no Teatro-D, Ciro Barcelos conta a trajetória de um jovem chamado Francisco Bernadonne por meio do olhar de três saltimbancos, moradores de rua, que afirmam saber tudo do amado mestre. Para contar a história, Ciro se baseou na lenda de ‘Os Três Companheiros’, escrita no século 13 por três fidedignos amigos de Francisco de Assis, mas, principalmente em sua experiência quando viveu na cidade de Assis por um ano.

Os três amigos vão se revezando nos papéis, formando um alegre trio de menestréis. Através de repentes, romarias, poemas e canções originais, narram a trajetória do revolucionário jovem, que, canonizado santo pela igreja católica, preza pelo amor à natureza.

A peça ocupa o horário nobre do Teatro-D, que, em apresentações vespertinas, às 16h, recebe o espetáculo infantil ‘Crianceiras – Manoel de Barros’, de Márcio de Camillo, mantendo o primeiro trimestre do ano com peças poéticas.

Na estreia, em 5 de março, Barcelos e Darson convidam o amigo, artista plástico, figurinista e ator Claudio Tovar, para inaugurar a segunda Mostra do Teatro-D, com “Ícones Brasileiros e os Santos”, em cartaz até 29 de março. Após o espetáculo, fechando a noite no mais novo espaço pluricultural da cidade, o Teatro-D apresenta a cantora lírica, especialista no repertório do soprano dramático e soprano wagneriano, Laura de Souza.

Por que Francisco de Assis

O Teatro-D, que abriu a temporada 2020 com poemas de Manoel de Barros interpretados pela consagrada Cássia Kis, decidiu manter a pegada mais humanista e menos comercial, e, assim, retomou sua programação com Ciro Barcelos na saga daquele que se tornou um dos maiores ícones e personalidades mundiais: São Francisco de Assis. Como santo, é venerado em todos os altares, sejam eles católicos, espíritas, umbandistas ou budistas.

Francisco foi poeta, eleito patrono da ecologia por sua escolha da defesa do meio ambiente (natureza, na época), e, principalmente, pela sua relação amorosa com animais e todos os seres vivos.

O célebre ‘O Cântico das Criaturas’, traduzido em todos os idiomas, se tornou mundialmente conhecido como ‘hino da ecologia’. Outro feito de Francisco de Assis foi a famosa ‘Carta aos Governantes dos Povos’, escrita a próprio punho e enviada a todos os reis e ducados da época, que permanece sendo um dos maiores e mais importantes manifestos ecológicos já escritos até hoje.

A peça

Ciro Barcelos viveu dois anos na Itália, onde trabalhou como coreógrafo e se aperfeiçoou no teatro. Mas, em Assis, passou por uma intensa experiência espiritual vivendo em mosteiros como noviço franciscano, que o levou a se inspirar para escrever e protagonizar um dos musicais de maior sucesso em todo o Brasil – numa época em que ainda nem se falava nesse gênero. “Francisco de Assis – o Musical” permaneceu 12 anos em temporada, passando pelo Rio e nas principais capitais do país.

Devido ao sucesso, foi convidado pela Secretaria de Cultura de Assis, na Itália, se apresentando no Lyric Theatre com lotações esgotadas para uma plateia de duas mil pessoas. Os críticos foram positivamente unânimes, ganhando inclusive cinco estrelas como ‘a versão teatral mais original e fiel da vida do nosso padroeiro’, sendo ainda aclamado pelo cineasta Zeffirelli.

De volta ao Brasil, além de voltar em temporada, o musical se tornou especial da TV Globo dirigido por Roberto Farias, conquistando inúmeros prêmios.

Depois de tanto sucesso, não tinha como não retomar a ideia original, que já estudava mesmo enquanto responsável pelo retorno do Dzi Croquettes, de 2012 a 2018. Logo depois, então, realiza a estreia nacional de “O Auto de São Francisco” na cidade de Xaxim, Santa Catarina, para mais de 1.500 jovens dos mais diversos países, a convite do Encontro Internacional da Juventude Franciscana, que foi transmitido ao vivo pela TV italiana.

O livro

Relato de uma experiência pessoal vivida como noviço franciscano na pequena cidade italiana de Assis, “O Caminho de Assis”, por meio de uma narrativa envolvente e poética, convida o leitor a uma profunda imersão espiritual e uma viagem pelos santuários franciscanos da cidade na qual viveram São Francisco de Assis e Santa Clara, que marcaram a vida de Barcelos para sempre.

A primeira edição foi em 1997, tendo se esgotado em poucos dias.  Reeditado pela Giostri Editora, ressurge com mais um novo capítulo, no qual o autor descreve também a trajetória de seu musical ‘Francisco de Assis’, montagem inspirada por sua vivencia com os franciscanos da cidade.

Dercy Gonçalves em obra de Claudio Tovar

O que é a ‘exposição’?

Inspirado na iconografia bizantina, Tovar – que também compôs o elenco original tanto de “Dzi” quanto do original “Francisco” –, em parceria com o Teatro-D, expõe pela primeira vez em São Paulo “Ícones Brasileiros e os Santos”. São retratos, em quadros e estandartes, de grandes nomes da música e das artes cênicas como santos ortodoxos: Ayrton Senna, Carmem Miranda, Grande Othelo, Elis Regina, Rogéria e Hebe Camargo, entre outros.

O trabalho é um misto de pedrarias e materiais reciclados, folhas de ouro e prata, que resultou nos artistas brasileiros emoldurados como ícones nas mais diversas religiões, numa originalidade nunca vista.

Claudio Tovar já foi premiado inúmeras vezes, tendo recebido, entre muitos outros, os Prêmios Shell e o Governador do Estado do RJ.

O Teatro

O Teatro-D fica no Piso G-2 do prédio que abriga o hipermercado Extra, no Itaim Bibi, com três entradas, pela Av. JK e pelas ruas Leopoldo Couto de Magalhães e João Cachoeira, acesso aos corredores de serviços e praça de alimentação, e ainda oferece estacionamento gratuito, exclusivo para seu público.

Construído em uma área de 1000 m², foi inaugurado em 26/12/19 por Ney Matogrosso. O projeto de Darson privilegia a arte e os artistas e foi estruturado para receber as mais diversas produções culturais em seu palco de 113 m², com equipamentos compatíveis de luz e de som, amplas coxias e camarins. O teatro tem ainda uma sala múltipla apropriada para ensaios, aulas e eventos. A plateia foi adequada para 350 lugares, com poltronas confortáveis, ar condicionado e totalmente acessível.

O grande foyer foi planejado para desde pequenas leituras dramáticas, rodas musicais, saraus e concertos, até eventos de grande porte e exposições – e ainda oferece um belo piano de cauda.   O ambiente abriga ainda uma livraria Companhia das Letras, o Café D-Teatro e uma mesa coletiva de trabalho com internet livre, tudo emoldurado por dois painéis do artista e grafiteiro Guilherme Kramer, que compôs as duas portas de entrada da plateia, invisibilizando-as com rostos anônimos e ao mesmo tempo de artistas, que o diretor quis homenagear. “É como se o público ao entrar na sala de espetáculos, estivesse entrando na casa destes artistas. Paulo Autran, Raul Cortez, Grande Otelo, Elke Maravilha, Miriam Muniz e Sérgio Brito são alguns dos homenageados”, diz o artista.  Raquel Saliba ocupa uma parede de quase 30m de extensão, com 59 máscaras, criando um momento de reflexão e diálogo sobre cada indivíduo. Já Adriana Rizkallah convida o espectador a um mergulho de vivência lúdica num ciclo incessante de possibilidades, promovendo a sustentabilidade através de sua arte, com sua obra “taturana” – técnica mista em papel machê reciclado, estruturada em cobre e aço.

Ficha técnica:
Texto, concepção e direção: Ciro Barcelos
Atores e músicos: Ciro Barcelos, André Perine e Patricia Barbosa
Direção musical: André Perine
Trilha sonora original: Flávio de Lira, André Perine, Ciro Barcelos
Figurinos, adereços e visagismo: Claudio Tovar
Preparadora vocal: Maúde Salazar
Direção de movimento: Ciro Barcelos
Desenho de luz: Carlos Zulu
Assistente de produção: Sirlei Paiva
Produção: TTD-Trupe Teatro da Desordem

Serviço:
O Auto de São Francisco (de 07 a 29 de março*)
Gênero: Musical
Estreia: 05/03 (21h)
Quando: sextas e sábados (21h) e domingos (19h)
Local: Teatro-D (Rua João Cachoeira, 899, Itaim Bibi, São Paulo/SP)
Ingressos: R$ 80,00 (moradores do Itaim Bibi pagam meia-entrada, com comprovante de residência)
Duração: 70 minutos
Classificação: livre
*No dia 6/3 não haverá espetáculo
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo

Exposição:
Ícones Brasileiros e os Santos, de Claudio Tovar
Abertura para convidados: 05/3, quinta-feira, às 19h00
De 07 a 29/3, de segunda a sexta-feira, a partir das 10h, com entrada gratuita.

 

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