RESENHA: ‘Pérola imperfeita: A história e as histórias na obra de Adriana Varejão’

Pérola Imperfeita: A história e as histórias na obra de Adriana Varejão
Lilia Moritz Schwarcz e Adriana Varejão
Coedição das editoras Cobogó e Companhia das Letras
360 páginas


Quando fui buscar na portaria o pacote da editora Cobogó, me surpreendi pelo tamanho da caixa que me esperava – pela imagem na internet imaginava um livro menor. Ao abrir a embalagem de papelão, me deparei com um volume belíssimo, capa dura, robusto, imagens de alta qualidade em papel à altura. Era Pérola Imperfeita: A história e as histórias na obra de Adriana Varejão, escrito pela antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz em parceira com a própria artista, que, como conta-se na introdução, encontrou a professora da USP em um avião e lhe disse que gostaria que ela escrevesse um livro sobre seu trabalho. Quando duas grandes mentes assim se encontram, o resultado, geralmente, é um total sucesso ou um total fracasso. Esse foi, sem nenhuma dúvida, um caso de sucesso. Delicioso de se ler e repleto de análises interessantes, porém acessíveis ao leitor não especialista, é um livro indicado a qualquer amante da arte contemporânea.

A abordagem é feita por temas, não necessariamente em ordem cronológica, já que vários deles, por exemplo, a colonização, aparecem de maneira recorrente em sua obra. Há um capítulo sobre como ela trata da colonização; outro sobre as influências dos artistas europeus que visitaram e retrataram o Brasil em sua obra; um ainda sobre os azulejos – marca registrada da artista -; e por aí vai.

O fato de o volume ser ricamente ilustrado – com belos detalhes que mostram a textura das pinturas e a maneira na qual a artista as trabalhou – é  fundamental ao se tratar das criações de Adriana Varejão, pois grande parte de suas peças encontram-se em coleções particulares e as imagens de muitas delas não são encontradas facilmente nem mesmo no quase onisciente e onipresente Google.

O título, acredito eu, faz referência justamente a importante influência da história, que Adriana Varejão reinterpreta visualmente em suas criações, e das histórias que permeiam a grande história oficial. Já “pérola imperfeita”, imagino que se relacione com a série de obras Ama divers, inspirada nas mulheres japonesas que mergulham em águas profundas em busca de pérolas, da qual se fala no final do livro, assim como do caráter barroco do trabalho da artista, tal qual uma pérola imperfeita.

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