Exposição comemora o centenário do artista Antonio Bandeira

Almeida & Dale Galeria de Arte celebra centenário do nascimento do pintor cearense Antonio Bandeira

Antonio Bandeira, Sem título (1959)

Mais de 40 obras, entre autorretratos, paisagens, árvores, resgatam o percurso do artista na mostra “Desfolharei meus olhos neste escuro véu”, que tem curadoria da professora e curadora Galciani Neves.

A partir da linguagem já conhecida do cearense Antonio Bandeira, radicado em Paris e morto em 1967, aos 45 anos, a exposição “Desfolharei meus olhos neste escuro véu”, que a Almeida & Dale Galeria de Arte apresenta, de 28 de maio a 2 de julho, pretende aproximar discurso plástico de alguns textos e depoimentos de toda trajetória do artista marcada pela pintura. “Muito se conhece da sua saída do Ceará e chegada em Paris, mas quem foi Bandeira? Que mãos são essas que tanto produziram tanto em tão pouco tempo?”, se pergunta a curadora convidada Galciani Neves.

Antonio Bandeira foi um pintor e desenhista brasileiro, dos mais valorizados e com obras nas maiores coleções particulares em museus do Brasil e do mundo. Sobre ele, diziam: “que tentava fazer pintura e não pintar quadros, que era uma figura que transitava com a mesma disponibilidade por botequins e embaixadas, que Paris revelou o artista cearense para o mundo, que ele se esquivou dos ismos, que sua obra caminhava entre o abstracionismo lírico, informal, tachista”, reflete Galciani no texto de apresentação da exposição.

A lista de narrativas recorrentes é extensa e, agora, nos 100 anos de seu nascimento, a galeria busca pelo que não foi dito, saindo da lógica cronológica e linear para uma aproximação das obras a partir de trabalhos que se conversam. “Na primeira sala, por exemplo, reunimos pinturas escuras, entre paisagens noturnas e composições em que a cor preta predomina. Na segunda sala, a cor azul invade as cidades e paisagens pintadas por Bandeira. E nas outras salas, as árvores, por exemplo, surgem multicoloridas. A seleção de obras vai se costurando pelos autorretratos produzidos pelo artista em diferentes momentos de sua trajetória”, explica a curadora.

Antonio Bandeira, Sem título (1963)
Antonio Bandeira, Autorretrato (1947)

“É fundamental inventarmos modos para olharmos e convivermos com a obra de Bandeira. Isso requer uma pesquisa profunda. O que tentamos fazer nessa mostra foi, a partir uma leitura sobre o que é bastante recorrente na fortuna crítica brasileira sobre sua obra, olhar para seu trabalho para além de marcos históricos, para além dos ismos que ele tanto evitou. E adentrar a densidade de seus gestos, de suas composições cromáticas, fisgar um tanto da subjetividade de Bandeira em sua obra e em seus escritos. Talvez, até imaginar o que seriam as memórias acumuladas pelo artista e perceber suas pinturas como relatos das experiências que teve e dos lugares por onde passou, como o pequeno ateliê em Paris, os bairros de Fortaleza, o mar do Rio de Janeiro, as cidades italianas”, conta Neves.

Antonio Bandeira, Village tranquille (Vilarejo tranquilo) (1957)
Antonio Bandeira, La tempête blanche – vendaval (A tempestade branca – vendaval) (1957)

Compondo a exposição, uma áudio-instalação do artista João Simões convida o visitante a divagar pelas obras. João Simões se apropria do texto de Marguerite Duras, presente no vídeo “As mãos negativas”, de 1979, no qual a artista narra um ser humano, em tempos longínquos, que do alto de uma falésia, fita a imensidão do tempo, do oceano e de sua solidão. Assim, a curadoria propõe uma aproximação entre tempos, entre gestos e entre mistérios de deixar marcas no mundo.


Serviço:

Exposição Desfolharei meus olhos neste escuro véu: 100 anos da pintura em festa de Antonio Bandeira
De 28 de maio a 2 de julho de 2022
2ª a 6ª feira, das 10h às 18h
Sábado, das 11h às 16h

Almeida & Dale Galeria de Arte
Rua Caconde, 152 – Jd. Paulista
Tel: 11 3882-7120
https://www.almeidaedale.com.br/


Sobre a Almeida & Dale Galeria de Arte

Fundada em 1998, a Almeida & Dale Galeria de Arte tornou-se, em mais de duas décadas de existência, uma das mais relevantes no Brasil, inserindo o trabalho e o legado de artistas brasileiros em importantes acervos, coleções e arquivos nacionais e internacionais. Entre eles: Willys de Castro, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Mestre Didi, Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Jandira Waters e Roberto Burle Marx. Nos últimos anos, com Antônio Almeida e Carlos Dale como diretores, a programação da galeria revisitou o trabalho de diversos expoentes de nossa arte, promovendo exposições retrospectivas, elaboradas por curadores convidados e produzidas com rigor museológico. Publicações amplamente reconhecidas pelo ineditismo e notoriedade dos ensaios acadêmicos e resgate de textos históricos acompanham as exposições. Recentemente, a Almeida & Dale realizou mostras individuais de artistas fundamentais no panorama histórico e crítico da arte brasileira, como Agnaldo Manuel dos Santos, Miriam Inez da Silva, Luiz Sacilotto e Sidney Amaral, contando com empréstimos de colecionadores e instituições, e estimulando o interesse da crítica no Brasil e no exterior. Junto com a promoção constante de exposições e publicações, a Almeida & Dale apoia projetos de preservação de obras de artistas brasileiros. Exemplo disso, está a representação do espólio de Luiz Sacilotto, destacado artista do movimento da arte concreta brasileira.

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