O absurdo da arte contemporânea – Quando uma genérica pintura Ikea pode valer milhões

Na semana passada assisti a um vídeo bastante interessante do canal humorista holandês LifeHunters (lifehunterstv no YouTube) que tinha como objetivo promover a nova coleção de pinturas decorativas estilo street art da Ikea.

Um dos integrantes basicamente pegou um quadro genérico, vendido por poucos euros na popular rede de móveis e decorações e o levou a um museu de arte (Museu Arnhem) como se a peça fosse assinada por um artista importante. Em seguida, pediu aos visitantes do local para que avaliassem a obra, tanto estética quanto monetariamente. O resultado foi no mínimo super hilário, já que praticamente todas as pessoas fizeram comentários intelectuais complexo, além de outros de certa forma genéricos sobre a obra, frases usando palavras como “interessante” ou “enérgica” do tipo que se aplica a quase qualquer peça. Além disso, grande parte pensou que ela valesse realmente muito dinheiro – o recorde foi de 2,5 milhões de euros, ou seja, mais de 8 milhões de reais! Um dos visitantes até mesmo disse já ter ouvido o nome do artista – Ike Andrews, uma brincadeira com o nome da loja, o que é ainda mais engraçado!

Tudo isso para dizer que a arte, no geral, e principalmente a arte contemporânea, corresponde, primeiramente, a um contexto, ou seja, onde a peça está faz a diferença tanto na sua apreciação quanto no seu valor monetário, e, além disso, a valorização da obra por certa pessoa influente da área, também influi nesses fatores. No vídeo, os observadores não são necessariamente grandes colecionadores ou pessoas do meio da arte, por isso, além do ambiente, o fato de o garoto que apresentou a obra parecer intelectual – antes de entrar no museu ele coloca óculos desses de aro largo para compor seu “look” – foi provavelmente importante para a apreciação positiva da obra, daí a importância da aparência na interpretação da realidade, mas isso já é assunto pra outro texto.

Enfim, além de claramente promover a marca, passando a ideia que apesar de barata, a pintura possui uma aparência bonita e refinada e, sendo assim, uma maneira interessante de mesclar humor e publicidade sem perder a alma artística da produção, podemos perceber o vídeo como uma sátira ao mundo intelectual e da arte, por vezes excessivamente esnobe. Em um meio onde os valores não são objetivos, não se pode ter tanta certeza assim de suas opiniões como as únicas.

Veja abaixo o vídeo, com áudio em holandês (não, eu não falo holandês) e legenda em inglês:

https://www.youtube.com/watch?v=4BlLX03OJRU

Revisado por Duda Delmas

* Texto originalmente publicado no Literatortura e Fashionatto

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