OBRA DE ARTE DA SEMANA: A poderosa Vitória de Samotrácia


Vitória de Samotrácia
, por volta de 220-170 A.C, mármore de Faros para a figura feminina e mármore cinza de Rodes para o barco e a base, altura total 5,57 m. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.


Vitória de Samotrácia, por volta de 220-170 A.C, mármore de Faros para a figura feminina e mármore cinza de Rodes para o barco e a base, altura total 5,57 m. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.

Junto com a Mona Lisa e a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia está entre as obras mais famosas do Museu do Louvre, em Paris. Os turistas encontram-na facilmente a caminho de suas duas colegas famosas. Ela repousa imponente no alto de uma escadaria monumental. Sua posição combina perfeitamente com a coragem com a qual ela enfrenta o vento que sacode suas vestes e as águas turbulentas, já que sua base é nada mais que a proa de um navio – testemunha da época das batalhas navais e inovações técnicas no domínio da navegação que aconteciam no momento em que foi realizada. O mármore de Rodes da base apresenta estruturas, em madeira nos barcos reais, que serviam de apoio a remos longos muito eficientes. Ela poderia ter sido uma comemoração ao triunfo de Rodes contra Antíoco III da Síria em 191 A.C.


Vitória de Samotrácia
, por volta de 220-170 A.C, mármore de Faros para a figura feminina e mármore cinza de Rodes para o barco e a base, altura total 5,57 m. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.

Inclusive, é interessante notar o caráter aventureiro e livre da escultura, em comparação com outras esculturas femininas de época não tão distante, tal qual sua colega de museu cerca de cem anos mais jovem, a Vênus de Milo. Apesar de também orgulhosa, a Vênus é menos aventureira. Claro, é uma Vênus, uma Afrodite, deusa do amor e da beleza, e não uma personificação da Vitória, Νίκη, Niké, em grego. Seu rosto régio é mais estático e seu corpo apresenta um charme comedido, elegante. Uma mulher distante. Já a Vitória – da qual, infelizmente, só podemos tentar adivinhar os traços do rosto – é uma mulher livre, confiante, de peito e asas abertas. Sua perna direita à frente, como se pousasse após o voo, passa novamente essa sensação de confiança e espírito de aventura, tal qual um Hércules que pisa ostensivamente sobre o corpo morto do Leão de Neméia. Oras, é uma Vitória, não é? Passando essa impressão, o escultor definitivamente obteve sucesso na representação do personagem. Para mim, uma feminista do século XXI, é uma representação feminina amplamente mais agradável aos olhos e ao espírito. Porém, ambas as obras representam mulheres fortes e de certa forma intimidadoras. Se elas fossem de carne e osso, as duas teriam muitos admiradores, porém, uma afastaria suas aproximações pelo seu porte e distância; a outra, por sua coragem e aventura.


Afrodite, dita Vênus de Milo
, cerca de 100 A.C., mármore de Faros, 2,02m de altura. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.

Quanto às características técnicas da Vitória, ela é composta de vários pedaços de pedra esculpidos separadamente e posteriormente unidos, prática frequente da época arcaica à helenística. O escultor criou a obra para ser vista do lado esquerdo de três de quartos, dado que sua face direito não foi esculpida detalhadamente, preferindo assim uma visão geral impactante a uma representação que copiasse a realidade de maneira perfeita. Suas roupas ostentam a técnica dita do “tecido molhado”, na qual o artista esculpe no mármore o corpo do personagem representado como se esse estivesse à mostra sob uma fina camada de um pano úmido, exigindo grande habilidade do escultor. Daí também o caráter “sexy” de muitas obras, quase predominantemente femininas, criadas dessa maneira.

Ainda sobre as roupas da deusa, ela veste o chiton, vestido de tecido fino longo amarrado com um cinto embaixo do busto. E sobre ele, o himation, uma espécie de manto, que apresenta traços microscópicos de policromia que nos permite imaginar em quais cores essa parte da estátua era pintada. Na verdade, a policromia era frequente em estátuas e arquitetura de pedra na Antiguidade e Idade Média, fato descoberto em época relativamente recente. A alvura com a qual estamos acostumados é apenas ilusória e devida à ação do tempo, o que influenciou a escultura renascentista e neoclássica a produzir obras em mármore branco, sem nenhum tipo de pigmento. Eles não poderiam fazê-lo de outra maneira, dado que desconheciam toda essa história de policromia nas esculturas da Antiguidade Clássica.

A Vitória foi descoberta fragmentada no santuário dedicado aos Grandes Deuses na ilha de Samotrácia, do qual ela pertencia, em 1863, entrando no Louvre no ano seguinte. Recentemente, em 2014, foi restaurada graças à uma campanha do museu que recebeu doações de milhares de pessoas, e atualmente pode ser apreciada em todo seu esplendor pelos visitantes.

Bibliografia:

Luca BACHECHI, Emanuele CASTELLANI, Francesca CURTI, Les chefs-d’oeuvre du Musée du Louvre, Paris, Place des Victoires, 2009, p. 74-81.

http://musee.louvre.fr/oal/victoiredesamothrace/victoiredesamothrace_acc_fr_FR.html

http://www.lemonde.fr/culture/article/2014/01/07/un-million-d-euros-de-dons-pour-la-victoire-de-samothrace_4344247_3246.html

http://www.louvre.fr/node/22546

Fonte das imagens:

http://musee.louvre.fr/oal/victoiredesamothrace/victoiredesamothrace_acc_fr_FR.html

http://cartelfr.louvre.fr/cartelfr/visite?srv=car_not_frame&idNotice=14199&langue=fr

http://cartelfr.louvre.fr/cartelfr/visite?srv=car_not_frame&idNotice=14200&langue=fr

http://focus.louvre.fr/JA/%E3%83%95%E3%82%A9%E3%83%BC%E3%82%AB%E3%82%B9

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