OBRA DE ARTE DA SEMANA: Léçon d’érotisme de Fabrini Crisci

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Fabrini Crisci, Leçon d’érotisme, acrílico sobre tela, 110x80cm, 2006. Coleção Particular.

Finalmente uma obra de arte contemporânea no Obra de Arte da Semana! Hoje, a caricatural Leçon d’érotisme do mágico e artista plástico brasileiro Fabrini Crisci. Suas pinturas são intimamente ligadas à sua vivência como o mágico internacional que é; e retratam personagens, na maior parte das vezes curiosos, que conheceu e lugares por onde passou. Nossa obra da semana não é diferente. A história desse acrílico sobre tela é a seguinte: durante muitos anos Fabrini apresentou seu famoso número em dupla com Vik Muniz no Crazy Horse, o mais elegante cabaré parisiense. Leçon de érotisme (Lição de erotismo) é o nome de um número específico da casa, no qual uma bailarina seduz elegantemente a plateia sobre um sofá vermelho, ao som da música – super francesa – de mesmo nome, composta por Jean-Pierre Lang e interpretada por Juliette Gréco. O sofá sugestivo em forma de lábios vermelhos foi desenhado por Salvador Dali, que frequentava o local, décadas atrás.

Em sua representação, Fabrini coloca a sedutora bailarina sentada sobre o sofá de pernas cruzadas, como em um dos momentos do número. Seu corpo é curvilíneo e provocante, os seios grandes e roliços, porém seu pescoço é excessivamente fino e sua cabeça é desproporcional ao resto do corpo, garantindo assim um ar cômico à figura. Além disso, ela tem uma boca minúscula, olhões que quase saltam das órbitas e cílios compridos excedendo o contorno do rosto. O conjunto todo faz a personagem caricatural e divertida, nesse ponto, bem diferente das mulheres que interpretam a cena real.

Quanto à palheta, o fundo em tons frios contrasta o vermelho – cor quase onipresente na obra do artista – do sofá flutuante, destacando-o. O azul das bordas da tela se conecta ao tom ligeiramente mais claro dos olhos da moça. O espaço, sem outros elementos cenográficos, é atemporal, suspenso no tempo, tal como o sofá

As “Crazy Girls”, como são chamadas as bailarinas do Crazy Horse – insisto em dizer bailarinas, pois para ser selecionada é necessária à formação de balé clássico – inspiraram várias outras obras do artista.

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La souffleuse
(A sopradora) foi inspirado nos cabelos curtinhos das dançarinas, com a franja quase cobrindo os olhos.

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Aqui, parte das pernas das bailarinas e um sofá – vermelho, novamente – que decora o cabaré compõe uma figura surrealista.

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As mesmas perninhas estão presentes nessa imagem assustadora que parece inspirada das representações de Saturno. A mente artística funciona frequentemente dessa maneira, adicionando pequenos detalhes, consciente ou inconscientemente, e dessa maneira conectando as obras que se transformam em um corpo de trabalho coerente.

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