Entrevista: Fotografia e Arte Digital de Leda Lacintra

O acesso às câmeras fotográficas tornou-se muito mais fácil nos dias de hoje. Podemos, por exemplo, ter uma câmera fotográfica sempre a nossa mão acoplada ao celular. Decorrente disso, a fotografia tornou-se recorrente no nosso cotidiano, independente de uma baixa ou alta resolução, e, cada vez mais, esse universo vem sendo explorado e usado para registrar objetos, vidas e momentos.

O conceito dessa arte surgiu há muito tempo, por volta do ano 350 a.C., quando o famoso filósofo grego Aristóteles criou a câmara escura, na qual a luz entrava por um orifício e formava uma imagem em seu interior. Contudo, nesta época, as imagens ainda não eram congeladas, ou seja, nós ainda não tínhamos a fotografia. Foi apenas no século XIX que o congelamento da imagem tornou-se possível e, a partir dessa descoberta, a evolução das câmeras fotográficas, como conhecemos hoje – que, a princípio, eram grandes e pesadas. Foi com a compactação dessas que a fotografia foi se tornando mais popular.

Se antes necessitávamos de um fotógrafo para ter uma foto, com a fundação da empresa Kodak, no final do século XIX, este profissional deixou de ser tão requisitado – não desvalorizando a sua profissão e, muito menos, todo o estudo que fizeram e fazem tais profissionais – e, a partir daí, qualquer pessoa (que pudesse adquirir tal produto) poderia tirar suas próprias fotos com suas câmeras compactas e seus filmes em rolos. Quase um século depois, a empresa surgiu com a proposta de fazer uma “câmera sem filme”, mas a ideia só foi aceita e colocada em prática no início do século XXI. Nasceu, então, a queridinha e popular câmera digital. Uma câmera fotográfica que não necessita de um filme e, consequentemente, da revelação deste para que a fotografia pudesse ser visualizada. E é neste momento que tivemos um boom na fotografia. Novas empresas foram surgindo e hoje nós temos uma gama gigantesca de marcas e câmeras fotográficas com infinitas funções e resoluções diferentes. Com o avanço da tecnologia, a fotografia foi deixando de ser apenas um registro histórico e foi se tornando artístico também. Ela pode ser preta e branca ou colorida; multifocal, unifocal ou completamente desfocada; retrato, microfotografia, macrofotografia, fotografia jornalística, fotografia arquitetônica, fotografia de moda, fotografia de culinária, fotografia documental, fotografia publicitária, fotografia geográfica, fotografia erótica e por aí vai. O tipo de arte que se fará por meio desta ferramenta incrível vai depender do olhar de cada pessoa, de cada fotógrafo, e como já dizia o fotojornalista francês Henri Cartier-Bresson, “fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.

E foi com base nas palavras deste fotógrafo que resolvi trazer neste espaço – e também para ser a minha primeira publicação – a arte de uma fotógrafa e artista digital autodidata contemporânea: Leda Lacintra. A artista é natural da cidade de Maringá (PR) e dada sua curiosidade e paixão por astronomia, belas paisagens, novos lugares e diferentes culturas, cursou Geografia (bacharelado) pela Universidade Estadual de Maringá. Eu não poderia explicar seu interesse pela fotografia e arte digital com as minhas palavras, então segue a entrevista realizada em janeiro deste ano:

Aurélia: O que a levou para o mundo da fotografia?

Leda Lacintra: A arte sempre foi meu oxigênio, seja qual for sua forma de expressão, sempre me vi encantada com apresentações de teatro, música, dança, cinema… É como se tivesse o poder de me transportar para uma atmosfera mágica, um universo paralelo à rotina e à correria da vida urbana. Arriscava-me rabiscando retratos e croquis de moda – sempre gostei muito de revistas de moda conceitual, de suas texturas e nuances –, mas sentia a necessidade de algo diferente, o que me levou a conhecer a arte digital.

A: Quando e como começou a trabalhar com fotografia?

LL: Em 2013, decidi unir a paixão pelas paisagens e o amor à arte, brincando de fotografia e edição. Inspirada por livros e filmes de fantasia/ficção científica e com uma câmera semiprofissional – Canon sx50 –, comecei fotografando no fundo do quintal de casa, usando giz, criatividade e fazendo releituras de obras cinematográficas – como “Alice no País das Maravilhas” – usando técnicas de perspectiva, programas de edição (não profissionais) e amigos como modelos. Era tudo muito improvisado, desde o figurino aos cenários, mas isso fazia os resultados serem ainda mais surpreendentes.

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A: Fale um pouco da evolução do seu trabalho.

LL: Em 2014, casei-me e fui morar em Florianópolis (SC), pois meu marido passou no vestibular de técnico em Meteorologia. Os cenários de lá serviram como estímulo para aprimorar as técnicas de arte digital – ainda com a minha câmera semi profissional –, usando recursos como dupla exposição e retouch em softwares profissionais de edição. No final de 2015, com a conclusão do curso de técnico do meu marido, retornei para Maringá com uma câmera profissional – Canon t5i – e determinada a atuar como fotógrafa com a bagagem e conhecimentos até então adquiridos. Paralelo aos ensaios profissionais, os projetos autorais sempre funcionaram como meio de aprimorar minhas técnicas de fotografia – composição, iluminação e edição. Permaneço autodidata, estudando muito sempre e, sem dúvidas, ainda há muito o que aprender, mas tento sempre entregar o meu melhor e usar todos os recursos disponíveis para que as pessoas tenham o melhor de mim.

A: O que mais você pode declarar do seu trabalho?

LL: Palavras não são suficientes para explanar a sensação de trabalhar com o que amo; apesar da paixão pelas paisagens, fotografar pessoas é o que faz meu coração bater mais forte! Poder fazer parte da história de pessoas que estão se casando, tendo um filho, poder transformar “fãs” em seus personagens preferidos ou evidenciar o talentos das pessoas é algo indescritível! É, de longe, encantador e gratificante. Os editoriais de moda, fineart e autorais também são inestimáveis pra mim, são onde posso expressar-me de forma mais ousada, artística e conceitual; e o leque de manipulação digital e criação é muito grande! Meu primeiro instinto quando comecei a brincar de fotografia – e que prevalece até hoje – é evidenciar artistas em todas as suas vertentes, de uma forma única, através da minha arte. Compartilhar valores empíricos enriquece uma obra, agregando sensibilidade e sintonia. Quero poder proporcionar através da minha fotografia o mesmo brilho nos olhos e emoção que sinto quando vejo um artista apresentar sua música, sua dança, sua atuação. Fico muito feliz com o carinho e comentários que recebo quando alguém conhece ou já acompanha meu trabalho, não tem preço que pague o incentivo de um sonho! E, também, é sublime quando pessoas começam a se inspirar no seu trabalho – espero que um dia meu sonho possa inspirar a realização de muitos outros sonhos!

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A: Como foram as exposições que já realizou?

LL: A minha primeira exposição, intitulada “Open Your Mind” (O.Y.M.), teve como objetivo abrir a mente para novos conceitos na fotografia, reunindo, aproximadamente, 100 fotos dos primeiros projetos que realizei e aconteceu em janeiro de 2014 na Câmara Municipal de Maringá. Posteriormente, fui convidada pela galeria de arte do Shopping Avenida Center (também em Maringá) no mesmo ano. A segunda e atual exposição, intitulada “Movi{mente}” é uma continuação da exposição “O.Y.M”, trazendo movimento a essa mente que fora aberta, rotacionando ideias e conduzindo o espectador por uma atmosfera surreal e mágica. Reuni cerca de 80 fotos – mesclando ensaios e projetos autorais realizados em Maringá e Florianópolis. Em Maringá, ela ficou na galeria de arte do Shopping Avenida Center e, atualmente, está no Museu da Escola Catarinense em Florianópolis com data de encerramento no dia 30 de janeiro e com pretensão de retornar para Maringá em março. A próxima exposição ainda não possui data definida, mas a temática pretende seguir uma tendência de obras mais melancólicas e com teor mais crítico/reflexivo.

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A: Gostaria de deixar alguma mensagem?

LL: Sou muito grata a todos que me incentivam e acreditam em mim, espero que muitas pessoas se inspirem e acreditem nos seus sonhos também, sejam eles quais forem! As exposições tem sido uma forma maravilhosa de receber o carinho das pessoas, fico muito feliz ao ver que aos poucos as mensagens vão sendo de pessoas cada vez mais distantes da minha cidade natal.

Para conhecer mais do seu trabalho e para entrar em contato com a fotógrafa, acesse sua página no Facebook ou seu Instagram.

Texto revisado por: Débora Cristina Bondance Rocha.

Fontes das imagens: As fotografias sem legenda foram retiradas do perfil pessoal do Facebook da artista e as fotografias com legenda foram enviadas pela própria.

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