Rasputin: a estrela obscura na corte russa

Imagine você fazer parte de uma das cortes mais suntuosas da Europa. Imagine também as festas e cerimônias no palácio imperial de Tzarskoye Selo, entre suas paredes, os convidados advindos da nobreza da Rússia Czarista e os anfitriões, nada mais nada menos do que a família Romanov. Neste ambiente de luxo e riqueza, quem poderia esperar que um mujique – um camponês russo – haveria de se tornar uma figura cujo poder ultrapassaria o do próprio Czar.

Quem foi Grigoriy Yefimovich Rasputin?

Nascido no ano de 1869, na aldeia de Prokoskoie, na localidade de Tobolsk, na Sibéria, Grigoriy Yefimovich Rasputin, conquistou os salões de São Petersburgo com sua figura excêntrica, e com seus supostos poderes sobrenaturais. Após sua chegada à capital do império russo, não demorou muito para que o místico siberiano se tornasse o homem de confiança do imperador Nicolau II. Rasputin caiu nas graças do casal imperial após ter supostamente curado Alexei, filho mais novo de Nicolau II e Alexandra, durante uma de suas crises. Aquele a quem estava destinado o trono russo, sofria de hemofilia e suas crises colocavam o destino da dinastia Romanov em risco, sendo assim, não é de se estranhar o fato de que o mujique tenha adquirido tamanha confiança entre os membros da família imperial russa.

Uma figura controversa

Se por um lado o camponês havia se tornado alguém tão estimado pelo casal real, por outro lado, cresciam os rumores de escândalos envolvendo o curandeiro e algumas das damas da nobreza russa. Não tardou para que surgissem boatos sobre o seu envolvimento com a Czarina Alexandra, despertados pela proximidade entre ela e aquele a quem considerava o único capaz de salvar a vida de seu filho.

A fama de Rasputin se espalhou por todo o império, mas o mujique não se tornou famoso apenas pelos supostos poderes de cura. Grigoriy Yefimovich Rasputin era conhecido como um exímio amante em todos os recantos de São Petersburgo. Seus casos com aristocratas casadas escandalizavam a sociedade russa e despertavam o interesse e a curiosidade dentro e fora do império. Diz a lenda que Rasputin tinha a capacidade de hipnotizar quem olhasse em seus olhos, e que quando ele falava todos o ouviam, tornando-se instantaneamente seus seguidores, principalmente seguidoras. O místico tornou-se tão influente na corte de Nicolau II, que muitos políticos e empresários, em troca de favores, apresentavam a ele suas esposas, cientes de sua (má) reputação.

O declínio de uma era

Grigoriy Yefimovich Rasputin é associado por muitos ao fim da dinastia Romanov e com ela o fim da Rússia Imperial. Este fato se deve à situação de tensão política que envolvia o país às vésperas da Revolução Russa de 1917.

O casal imperial que sempre fora visto com certo distanciamento pela população, passou a ser alvo de muitas críticas. Rasputin tornou-se figura central neste processo, pois se especulava que além do escândalo iminente que a possível descoberta do relacionamento amoroso entre ele e a czarina iria causar, o curandeiro seria o principal conselheiro do imperador, o influenciando, inclusive, em questões políticas internacionais como a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, a qual o mujique era veementemente contrário.

Não tardou para que o homem de confiança do Czar sofresse a primeira tentativa de assassinato.

Em 1914, enquanto visitava sua aldeia natal, Rasputin foi esfaqueado por uma antiga amante que acreditando que ele estivesse morto, disse aos seus conterrâneos que havia matado o anticristo. Porém, Rasputin sucumbiria apenas tempos mais tarde, vítima de uma conspiração surgida na aristocracia.

A lenda conta que após a primeira tentativa de assassinato, o místico havia escrito uma carta advertindo o Czar de que se fosse morto por algum camponês, ou por alguém do povo, sua morte não seria vingada. Porém, se o seu assassino fosse proveniente da aristocracia russa, a dinastia Romanov seria destruída, bem como toda a nobreza seria varrida de sua pátria.

Se Rasputin era dotado de poderes sobrenaturais, ou possuía o dom da premonição, ninguém pode provar. Mas o fato é que o mujique foi assassinado no ano de 1916, vítima de uma emboscada arquitetada por Félix Iussúpov, sobrinho do czar, entre outros membros da elite russa.

Lenda na vida e na morte

A morte de Rasputin foi tão enigmática quanto sua tumultuada vida. No dia 30 de dezembro de 1916, durante um jantar na casa de Félix Iussúpov – vale destacar que a esposa de Iussúpov, Irina, tinha a fama de ser uma das mulheres mais belas da Rússia – Rasputin é envenenado enquanto aguardava o encontro com a jovem. O veneno fornecido por um médico que participou da conspiração não fez efeito, o que levou Iussúpov a disparar pelo menos três vezes contra o curandeiro, que foi espancado e jogado ao rio Neva, de onde seu corpo foi retirado após dois dias. A autópsia revelou que Rasputin teria morrido de hipotermia ou por afogamento, tendo sobrevivido aos tiros e ao espancamento, o que gerou uma série de especulações a respeito de sua morte e de seus poderes sobrenaturais.

Coincidência ou realização de uma profecia?

No dia 17 de julho de 1918, a família real foi assassinada pelos bolcheviques como forma de garantir que nenhum descendente tentasse recuperar o trono do país que já passava pela grande revolução.

Curiosidades

Antes de ser arremessado ao Neva, o místico teve o seu pênis decepado. Após ter sido recolhido por uma criada, o membro teria desaparecido, sendo reencontrado após alguns anos em Paris, onde era guardado e cultuado como amuleto para a fertilidade e por algumas mulheres da comunidade russa na cidade. Atualmente o suposto membro está sendo exposto no Museu do Sexo e do Erotismo em São Petersburgo.

Fonte da imagem:

http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/charlesmoore/10642675/Whos-to-say-we-wouldnt-fall-for-a-Rasputin

 

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