A enigmática escritora chilena Maria Luisa Bombal

Nascida na cidade de Viña del Mar, Chile, no dia oito de junho do ano de 1910, Maria Luisa Bombal foi a autora de uma obra misteriosa, assim como sua vida pessoal.

Apesar de vivido por setenta anos, Bombal encerrou sua atividade como escritora no final da década de trinta, por acreditar que não seria capaz de produzir obras que estivessem no mesmo nível de A última névoa e A amortalhada, suas principais obras.

Porém, embora muito jovem a escritora tivesse obtido êxito em sua carreira literária, sua trajetória pessoal imitou o trágico destino de suas personagens.

Ao regressar ao seu país de origem, após graduar-se no curso de Letras, na Universidade de Paris, a Sorbonne, na França, Maria Luisa Bombal conhece Eulogio Sánchez, com quem manteve um conturbado relacionamento que resultou em duas tentativas de homicídio contra o amante. Uma delas foi determinante para sua viagem para a Argentina, auxiliada pelo amigo Pablo Neruda, onde tempos depois ocorreria o lançamento de A última névoa.

Um pouco antes da publicação de sua novela, Maria Luisa casou-se por amizade com Jorge Larco, um artista plástico homossexual. Após aproximadamente dois anos, a união terminou.

Ao retornar ao Chile, a escritora reencontra Eulogio Sánchez, fato que resulta na segunda tentativa de assassinato. Bombal é presa, mas acaba por ser inocentada pelo amante.

No ano de 1938, Bombal publicou a novela A amortalhada, outro grande sucesso, que deu a ela o Premio de la Novela de la Municipalidad de Santiago. Na década de quarenta, Bombal viajou aos Estados Unidos, onde conheceu seu segundo marido, o nobre francês falido Henri de Saint Phalle, com teve uma filha, Brigitte. A união perdurou por trinta anos, até o falecimento de Saint Phalle.

Durante o período em que viveu nos Estados Unidos, Bombal trabalhou como tradutora nos estúdios da Paramount, empresa para a qual vendeu os direitos de A última névoa.

Após a morte do segundo marido, Bombal retorna ao seu país natal. Na década de setenta, a autora foi agraciada com o Premio Academia Chilena de la Lengua e com o Premio Joaquín Edwards Bello.

A autora viveu seus últimos anos enfrentando grandes dificuldades financeiras, agravadas pelo vício em álcool. Maria Luisa Bombal faleceu devido à cirrose hepática, no dia 6 de maio de 1980, na capital chilena, onde vivia em uma clínica de repouso.

Apesar de ter tido um período de atividade bastante restrito, Maria Luisa Bombal deixou uma obra tão singular quanto instigante, cuja fama repercutiu em diversos países. A escritora personificou os diversos dilemas que abordou em seus contos e novelas.

Os excertos abaixo foram retirados da novela A última névoa:

“Assalta-me a visão de meu corpo nu e estendido sobre uma mesa do necrotério. Peles murchas e coladas a um esqueleto, um ventre sumido entre as cadeiras… O suicídio de uma mulher quase velha, que coisa repugnante e inútil! Minha vida por acaso já não é o começo da morte? Morrer para fugir; que novas decepções? Que novas dores? Há alguns anos talvez tivesse sido razoável destruir, num só impulso de rebeldia, todas as forças acumuladas dentro de mim para não vê-las se consumirem, inativas. Porém o destino implacável roubou-me até o direito de procurar a morte; foi-me encurralando lenta, insensivelmente, numa velhice sem fervores, sem lembranças… sem passado”.

“Aturdida, levanto a cabeça. Entrevejo o rosto vermelho e murcho de um estranho. Em seguida me afasto violentamente, porque reconheço meu marido. Faz anos que olhava para ele sem vê-lo. Que velho me parece de repente! É possível que seja eu a companheira deste homem maduro? Lembro, no entanto, que tínhamos a mesma idade quando nos casamos.”

“Daniel me pega pelo braço e começa a andar com a maior naturalidade. Parece não ter dado importância alguma ao incidente. Lembro da noite de nosso casamento… Ele, por sua vez, finge agora uma absoluta ignorância da minha dor. (…). Sigo-o para levar a cabo uma infinidade de pequenos afazeres; para cumprir uma infinidade de frivolidades amenas; para chorar por hábito e sorrir por dever. Sigo-o para viver corretamente, para morrer corretamente algum dia.”

Referências bibliográficas:

BOMBAL, Maria L. A última névoa. Tradução Neide T. Maia González. São Paulo: Difel, 1985

Fonte da imagem:

https://malditacultura.com/letras/maria-luisa-bombal/

 

 

 

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