Qual a diferença entre paquera e assédio? Esses quadrinhos explicam tudo!

“Entendeu ou quer que eu desenhe?”

Devido às influências da sociedade machista em que vivemos, muitas pessoas, mesmo mulheres, não entendem a diferença entre assédio e paquera, e não vem nada de errado nos textos de Danuza Leão ou das intelectuais e atrizes francesas, entre elas, Catherine Deneuve, que publicaram, respectivamente, seus escritos polêmicos no Estadão e no Le Monde recentemente.

A ilustradora francesa Emma criou quadrinhos que explicam tudo àqueles que estão confusos ou acreditam que educação na hora de abordar uma mulher levará à ruina das relações sexuais entre homens e mulheres. Sem mais, eis tudo desenhadinho pela Emma e traduzido por mim. Faço minhas as palavras dela:


Um papel a desempenhar.
“Mas por quê?”


Você não pode ter perdido, em outubro passado, milhares de mulheres se rebelaram contra os assédios e a violência sexual que elas sofrem no quotidiano.
“Eu também.” “Eu também.” “Eu também.” (Em referência à hashtag “me too”.


Muitos homens caíram das nuvens. No meu entorno, eles começaram a ouvir nossas histórias e ideias para que isso mude.
“É realmente assim o tempo todo??”
“Mas sim! Faz dez anos que eu te digo!”


Mas não foi assim por toda parte. Bastante rápido, uma forma de “resistência” se instalou. Alguns homens, tristemente apoiados por algumas mulheres, começaram a reclamar.
“O que está acontecendo é horrível! A gente não vai poder mais flertar! É o fim das relações homem-mulher!”


É interessante constatar que as mulheres que defendem esse direito a importunar são muito abastadas, e são os homens de sua classe que elas apoiam. Sim ao assédio, se ele é mundano. E quanto à solidariedade com as outras mulheres, a gente passa.


Bom, eu não me demoro sobre o que pode passar na cabeça dessas pessoas para comparar o fato de ser assediado ou agredido, e aquele de não encontrar parceiro sexual!
Cartaz da mulher: “Parem com as violências sexuais”
Cartaz do homem: “A gente quer transar ”
“Sério cara?”
Eu acho que isso diz bastante em si.


Mas seu medo repousa sobre uma escolha errônea: porque abordar uma pessoa sem importuna-la é possível. É só pedir e respeitar sua opinião.
“Boa noite, posso me sentar com você?”
“Sim, pode.”


Se a pessoa não responde…
…ou se recusa a falar com você…
“Eu prefiro que não.”
…a gente deixa pra lá. Mesmo se é desagradável e a gente está ofendido.
“Bom, que pena, boa noite para você.”
“Boa noite!”


“E sim! Porque ao contrário do assédio, uma relação de sedução, isso se constrói a dois!”
E é exatamente a recusa disso que se esconde atrás das lamentações desses senhores. Que as mulheres reivindiquem o direito de recusar seus avanços, eles não gostam, mas não mesmo!”


É preciso dizer que desde bem pequenas nós somos preparadas para desempenhar esse papel.
A gente enfeita as bebês meninas de acessórios decorativos…
“Eu me vingarei…”
…e mais tarde, de roupas visando sobretudo a torna-las mais bonitas.
Nós as habituamos desde muito cedo a receber comentários sobre seu físico e suas roupas.
“Como você é bonita! Uma verdadeira princesinha!”


Impossível, crescendo, de escapar às ordens para tornar nosso corpo conforme ao critério de beleza do momento.
Anúncio 1: Seja magra.
Anúncio 2: Depile-se.
Tudo nos condiciona a pensar que o papel das mulheres é antes de qualquer coisa dar vontade aos homens de seduzi-las.


Não é impressionante então, que quando nós reivindicamos o direito de escolher se e quando nós queremos entrar em uma relação de sedução, isso irrita alguns de ter que respeitar isso.
“Vocês nos julgam verdadeiramente indignos de nos acordar algumas palavras, alguns minutos de seu tempo? Somos nós que deveríamos estar ofendidos, não vocês.”
Citação real tirada de um e-mail enviado por um leitor da revista online Madmoizelle que respondeu em um artigo intitulado “Harcélement de rue ou compliment” (“Assédio de rua ou elogio?”).


E ao invés de lutar contra o assédio, eles vão dirigir sua raiva contra as mulheres que não desempenham o papel de aceitar seus avanços.
“Por causa dos seus negócios feministas, a gente não pode mais nem abordar vocês!”
“Mas sim, vocês podem! Com a condição de escutar se a gente diz “não”! E se te aborrece que estejamos na defensiva, é os assediadores que é preciso detestar, não nós!”


O pior em tudo isso, é que nos vendo como objetos a paquerar, esses homens reclamam também da passividade das mulheres nas relações de sedução.
“E depois também é muito chato ter sempre que dar o primeiro passo!”


“Então quando me dizem que lutando contra o assédio, as relações homens-mulheres serão distorcidas, eu tenho vontade de responder que é exatamente o inverso! Faz séculos que a relação homens-mulheres são distorcidas. Distorcidas pela nossa educação orientada pelo gênero, distorcidas pelo medo e pelos riscos que nós temos de ser agredidas. E nós, a gente luta para que isso mude.”


Pessoalmente, eu acho difícil entender como se pode ter vontade de saciar os desejos em detrimento da integridade do outro. Mas aparentemente isso não incomoda todo mundo…
Manchete:
O que não podemos mais dizer, o que não podemos mais fazer….
OS NOVOS CENSORES
“Nós defendemos uma liberdade de importunar indispensável para a liberdade sexual”
Em um fórum no Le Monde, um coletivo de 100 mulheres, entre as quais Catherine Millet, Ingrid Caven et Catherine Deneuve, afirma sua rejeição a um certo feminismo que exprime uma “raiva dos homens”.

Conheça mais do trabalho da autora em sua página no Facebook e em seu site.

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