Dialética do Esclarecimento, de Adorno e Horkheimer

O clássico de Adorno e Horkheimer, pesado e pontual, profundo e reflexivo, denso e construtivo, tece críticas filosóficas bastante incisivas sobre o entendimento que se estabeleceu sobre a razão, uma vez que essa, sem o esclarecimento de assim a ser, perde a razão de figurar como sendo razão. O esclarecimento sobre a motivação, os fundamentos e o porquê das coisas serem o que são se faz necessário para que a racionalidade seja melhor compreendida em seu aspecto estrutural. Há, portanto, na obra, a conceituação do esclarecimento.

O esclarecimento seria o sopro de manifestação do singular em frente ao universal. Daí a necessidade do esclarecimento.

Na primeira parte da obra, há um estudo profundo dos autores onde se esmiúça o liame do corpo social com a racionalidade. O mito é demonstrado não apenas como algo superado pela razão. O mito já é uma forma de esclarecimento. A “Odisseia”, de Homero, é o texto que recebe a detalhada análise dos autores a fim de situar o mito como esclarecimento. Outros nomes que também são abordados nessa parte da obra são Kant, Sade e Nietzsche, evidenciando a contribuição de tais pensadores para a conceituação de esclarecimento.

Na parte central da obra, “A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas”, há uma profunda crítica contra aquilo que os autores denominam de “indústria cultural”. Aqui, o domínio das manifestações culturais impostas aos cidadãos consumidores é denunciado. O consumismo cultural acorrenta o homem num estado de não reflexão, de mansa aceitabilidade do que lhe é vendido, como se suas escolhas fossem frutos de uma deliberação própria. O mundo industrial moderno determina os produtos de consumo a serem “optados” pelos cidadãos. A escolha é meramente aparente, já que as mais variadas formas de manifestações culturais e seus produtos gerados são idênticos em sua essência, construídos ou adaptados com o intuito de manter a inércia uniforme da população. E a fórmula funciona.

Por fim, os autores encerram o livro com uma digressão histórico-filosófica que busca as origens (ou o âmago) sobre a irracionalidade do antissemitismo. A denúncia é bastante clara neste sentido. Há ainda também um fechamento da obra com “notas e esboços” dos autores, evidenciando, ressaltando ou ainda complementando alguns dos pontos trabalhados no livro.

É uma leitura pesada, a qual requer atenção e paciência. O conteúdo compensa o esforço. Vale. Obra recomendada!

 


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