O que ver na SP-Arte Foto 2018?

A SP-Arte foto é um braço da SP-Arte dedicado especialmente à arte da fotografia e acontece todos os anos no mês de agosto. Notem que quando digo fotografia, vídeo arte, foto manipulação e qualquer outra derivação da fotografia estão incluídas.

O primeiro andar da exposição, na qual cada galeria tem seu estande, me pareceu um pouco mais cinza, com muitas imagens em preto e branco e cores mais discretas – entretanto, não por isso menos interessantes! -, enquanto que no segundo andar vi obras bem coloridas, com destaque para três artistas que adoro: Adriana Duque, Flávia Junqueira e Gabriel Wickbold.

A feira, localizada no shopping JK Iguatemi, é bem menor do que a SP-Arte geral, que normalmente ocorre em abril no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, assim, a visita pode ser aproveitada de maneira mais leve e menos saturante, tanto para quem vai comprar, quanto para quem somente pretende apreciar as obras. Inclusive, a SP-Arte foto tem visitação gratuita – aproveitem, pois vai só até domingo, 26/08 !

Abaixo, uma seleção de obras de diversos estilos que fazem valer a pena a visita:


Cássio Vasconcellos – Galeria Mario Cohen

As obras de Cássio Vasconcellos são bem lúdicas. Ele primeiro faz fotografias aéreas e depois cria imagens incríveis através de montagens, assim o espectador, de longe, vê algo quase abstrato, mas, chegando perto, percebe que a imagem é composta de inúmeros elementos, no caso dessa fotografia, carrinhos, caminhões e containers.


Robério Braga – Galeria Mario Cohen

Nessa série de Robério Braga, mulheres com cabelos intricadamente trançados são vistas de costas, proporcionando imagens belíssimas!


Norman Parkinson – Galeria Mario Cohen

Na Galeria Mario Cohen é possível encontrar imagens de Audrey Hepburn feitas por Norman Parkinson!


Projeto 59
, Edu Simões – Galeria Marcelo Guarnieri

O Projeto 59, de Edu Simões, é certamente um dos mais interessantes e socialmente importantes da feira. O título remete à estatística de que “todos os dias no Brasil 59 jovens negros são assassinados todos os dias” – notem a ênfase na repetição proposital de “todos os dias”. Assim, o artista mostrou 59 imagens de homens negros, muitos deles em suas casas extremamente precárias, com a frase destacada legendando-as, e, espero que sensibilizando o visitante,  sobretudo os colecionadores, em relação à essa triste realidade tão distante da sua.


Jaques Faing – Galeria Artehall

A série Eye Dada, composta de fotografias de olhinhos, é uma das minhas preferidas de Jaques Faing. A partícula “dada” faz referência ao movimento artístico dadaísta, que frequentemente propunha assemblages dos mais diversos elementos, imagens e objets trouvés – objetos encontrados.  O fato de colocar em evidência uma parte de um todo é frequente no trabalho do artista.


Yuri Dojc – Dan Galeria

O trabalho do eslovaco Yuri Dojc, exposto na Dan Galeria, também me tocou bastante. O artista judeu fotografou lugares – por exemplo, sinagogas – e objetos de seu país destruídos durante a Segunda Guerra Mundial, além de sobreviventes do Holocausto.


Coreografia do Caos
, Betina Samaia – Galeria Renato Magalhães Gouveia Jr.

Na obra Coreografia do Caos, a artista Betina Samaia combinou vídeo, fotografia e manipulação digital – a ponte no primeiro plano não existe e alguns prédios e outros elementos não se localizam no local mostrado na imagem – para criar um vídeo arte muito bonito, no qual parte da composição se move – os carros – e outras se mantêm estáticas, em uma verdadeira coreografia do caos.


Picasso aux petits pains
, Robert Doisneau – Fólio Livraria

A Fólio Livraria traz fotografias antigas para todos os gostos, entre elas, algumas de personalidades, por exemplo, Pablo Picasso.


Juliana Lewkowicz, ArteEEdições

A artista mostra em suas imagens de sonho e memórias da infância através de fotografia e manipulação digital.


Princess I
, Adriana Duque – Zipper Galeria

Adriana Duque, sobre a qual já falamos na coluna Obra de Arte da Semana, fotografa crianças sérias em retratos inspirados na pintura dos séculos passados, usando, frequentemente, belíssimos acessórios, tal qual a coroa da foto. O fundo quase sempre é preto nesses retratos nos quais os rostos estão bem próximos e os olhos são sempre digitalmente modificados para mostrarem a cor azul, aqui em perfeito diálogo com o azul da coroa.


Série Ter à distância, Isis Gasparini – Zipper Galeria

Conheci o trabalho da Isis Gasparini na SP-Arte Foto desse ano – essa é uma das vantagens de visitar exposições, não é? -, e fiquei simplesmente apaixonada. A série Ter à distância mostra imagens de visitantes frente a pinturas traz um diálogo entre a pintura e a fotografia, o espectador e as obras, através de contrastes de áreas escuras e outras fortemente iluminadas que lembra o efeito do chiaro escuro nas pinturas caravagescas.


Theatro Municipal 1911 #2
, Flávia Junqueira – Zipper Galeria

Na série Theatros, Flávia Junqueira coloca balões coloridos, que remetem à infância, dentro de opulentos teatros do passado. Seu trabalho dialoga com a teatralidade e a representação que acontece dentro de diversas arquiteturas. O resultado é lúdico e lindo!


2018 Society
, Marius Sperlich – Gabriel Wickbold S & Gallery

Marius Sperlich, uma sensação do Instagram, cria imagens lúdicas através de montagens digitais. Nessa fotografia, ele critica a sociedade atual, na qual o politicamente correto reina, e mamilos não podem aparecer nas redes sociais, nem mesmo em obras de arte.


Série Naïve, Gabriel Wickbold – Gabriel Wickbold S & Gallery

Gabriel Wickbold é conhecido por sua série Sexual Colors, na qual joga tinta nos modelos. Ele também pinta os retratados em Naïve (ingênuo), série na qual a tinta depois de seca craquela por causa dos movimentos naturais do rosto e, em seguida, coloca elementos naturais, tais como flores, penas e animais, sobre a cabeça dos retratados, representando pensamentos, sonhos e ideias, assim como a relação entre o homem e a natureza, a arte e a vida.


Donal Boyd – Gabriel Wickbold S & Gallery

Finalmente, temos Donal Boyd, uma figura curiosíssima! Trata-se de um fotógrafo americano que vive entre a Islândia e a África, principalmente a Namíbia, e cria imagens de animais selvagens com uma intimidade impressionante. Nessa foto, o feroz felino nos olhos de maneira profunda, como um retratado humano. Em outra imagem exposta na feira, elefantes são vistos em um momento descontraído, já que o artista colocou sua câmera dentro de uma caixa e a posicionou entre os elefantes – que até brincaram com ela! – e disparou através de um controle remoto, podendo assim mostrar o comportamento dos animais de forma mais natural longe da presença humana.

Serviço:

22 a 26 de agosto
Entrada gratuita

Horários 
Quarta, 22 de agosto (Preview para convidados)
Quinta a sábado, 23 a 25 de agosto: 13h–21h
Domingo, 26 de agosto: 13h–20h

*A entrada encerra todos os dias meia hora antes do horário de fechamento da Feira

Localização
Shopping JK Iguatemi, 3º piso
Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041
São Paulo, Brasil

Estacionamento pago no local

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