‘Frida, a biografia’ – Um livro imperdível!

Frida, a biografia de Hayden Herrera
Biblioteca azul, 620 páginas.

Frida Kahlo se tornou um ícone feminista, e, nos últimos anos, uma profusão de retratos seus por artistas contemporâneos tomou conta dos mais diversos objetos, de camisetas a bolsas e chaveiros. Artista sofredora, ícone feminista, esposa de Diego Rivera, amante de Trotsky. Mas quem foi de fato essa mulher de sobrancelhas unidas e batom vermelho que tanto vemos por aí?

O mito de Frida, em parte cultivado por ela própria durante sua vida, é somente um pequeno arranhão na verdade de sua vida que foi, sem dúvida, mais movimentada do que muitas histórias de ficção. Quando li um romance da vida pintora, por exemplo, pensei que a história de que na ocasião de seu acidente de ônibus na juventude ela estivesse ficado nua, ensanguentada e coberta de pó de ouro, com um corrimão de ferro transpassando seu corpo, com as pessoas a sua volta gritando Balarina! Balarina!, fosse em grande parte invenção do escritor, tamanho o surrealismo da imagem. Entretanto, Herrera nos conta justamente a mesma história que ouviu dos lábios de uma das testemunhas do ocorrido, Alejandro Díaz, o primeiro namorado de Frida.

Alejandro foi somente uma das muitas pessoas ainda vivas que conheceram a artista enquanto Herrera fazia sua pesquisa – o livro foi publicado pela primeira vez, em inglês, em 1983, sendo traduzido para o português e publicado no Brasil, em 2011. Hayden entrevistou amigos de Frida, seu médico e até mesmo sua sobrinha, Isolda Kahlo. Assim, trata-se de uma biografia muito séria e fidedigna, mas sem ser chata. Pelo contrário, é uma leitura deliciosa. A escrita de Herrera nos conta o real através de palavras dignas de uma romancista. Ainda bem que o livro é longo – das 620 que o compõe, 531 são história, o restante são notas e bibliografia –, pois o leitor não quer deixar essa mulher fascinante que foi Frida.  A biógrafa nos apresenta a vida e obra de uma mulher apaixonada pela vida, e que a viveu intensamente até seu último suspiro.

Desde a juventude, a vida de Frida foi conturbada. Filha de um alemão de pais judeus húngaros – de quem herdou as fartas sobrancelhas – e uma mexicana com ascendência espanhola e indígena, teve poliomielite quando criança, sofreu um gravíssimo acidente de ônibus na adolescência e passou por inúmeras cirurgias na coluna e no pé direito durante a vida. Além disso, seu casamento com o famoso muralista Diego Rivera foi repleto de problemas e casos extraconjugais de ambos os lados. Um verdadeiro entre tapas e beijos. E é exatamente essa avalanche de sentimentos e sofrimentos que vemos nas pinturas de Frida, autorretratos, em grande parte.

Em seu livro, Hayden Herera – que é historiadora da arte – nos conta os contextos nos quais essas obras foram criadas, e, as analisa de maneira breve e acessível, destacando os símbolos que fazem parte de uma iconografia própria da artista.

A escritora nos mostra Frida além da imagem superficial pela qual é conhecia, e, mesmo, da automitificação – a própria autora usa essa palavra – que ela criou para si mesma. O título do livro seja Frida, e não Frida Kahlo, justamente por isso, trata-se de um retrato escrito profundo que capta quem realmente foi Frida.

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