OBRA DE ARTE DA SEMANA : Pendente com a tríade de Osíris


Pendente com o nome do rei Osorkon II : A família do deus Osíris, ouro, lápis-lazúli e vidro vermelho, 9 x 6,6 cm, III Período Intermediário, XXII dinastia, reino de Osorkon II (874-850 A.C.). Conservado no Museu do Louvre, Paris, França.

A ouriversaria – trabalho do ouro – era muito importante no Egito Antigo, mas por causa das pilhagens de tumbas, grande parte dos tesouros desse período foram perdidos, seu ouro derretido e seus materiais reutilizados. O próprio Pendente com a tríade de Osíris, peça única por sua raridade e beleza, pode ter sido realizado partes de peças de dinastias anteriores.

Encontrada em Tanis por Pierre Montet, essa joia é composta de ouro maciço, lapis-lazuli e vidro vermelho. À esquerda, está Hórus, deus do céu e do silêncio, filho de Osíris, reconhecível graças à sua cabeça de falcão e a dupla coroa real. Ao centro, Osíris está sentado sobre um pilar de lápis-lazúli, posição incomum para o deus, e usa sua característica tiara com plumas e um sudário. À direita, temos Isis, esposa de Osíris, que usa sobre sua cabeça um disco ladeado por chifres de vaca, um de seus emblemas, comum a ela e a deusa Hathor. Seus seios são redondos e ligeiramente baixos no busto, segundo o gosto estético da época. Filho e esposa cercam o deus Osíris fazendo com suas mãos um gesto de proteção. Os adornos de Isis e Osíris possuíam incrustações, hoje perdidas. Os detalhes da peça foram esculpidos ou soldados de maneira tão perfeita que é quase impossível perceber as marcas da solda.

Um sistema de fixação com argolas, na parte de trás da peça, permitia que esta fosse usada sobre o peito. Sua tridimensionalidade, entretanto, a torna diferente dos peitorais clássicos, que são planos.

No pilar e na base do pendente, encontra-se inscrito o nome do rei Osorkon II, da XXII dinastia. A posição da inscrição, parcialmente apagada por uma intervenção posterior de data desconhecida, coloca o faraó sob a proteção das três divindades. Trata-se, provavelmente, de uma joia de templo de alta função religiosa. Apesar da presença de Osíris, deus dos mortos, o estilo das inscrições indica um rei vivo sob a proteção desses deuses, em vez de um rei morto, que assinalaria a peça como funerária.

Bibliografia :

Luca BACHECHI, Emanuele CASTELLANI, Francesca CURTI, Les chefs-d’oeuvre du Musée du Louvre, Paris, Place des Victoires, 2009, p. 42-45.

Geneviève PIERRAT-BONNEFOIS, « Pendentif au nom du roi Osorkon II : la famille du dieu Osiris » in Louvre. Consultado em 04/07/2017. http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/pendentif-au-nom-du-roi-osorkon-ii-la-famille-du-dieu-osiris

Fonte das imagens:

https://www.flickr.com/photos/jacquespasqueille/5463106776

Sobre a coluna OBRA DE ARTE DA SEMANA: Aline Pascholati, Marina Franconeti e Wagner Galesco se alternam escrevendo sobre obras de arte de diversas épocas às terças-feiras.

 

 

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