OBRA DE ARTE DA SEMANA: O Zodíaco de Dendera


O Zodíaco de Dendera
, cerâmica, 255 x 253 cm, 15 de junho e 15 de agosto de 50 a.C. Conservado no Museu do Louvre, Paris, França.

O Zodíaco de Dendera é uma representação do céu noturno no teto de uma das capelas construídas sobre o templo de Hator – uma das mais antigas divindades egípcias representada por uma mulher com orelhas de vaca, deusa do amor, da felicidade, do vinho, da dança, da fertilidade e da necrópole de Tebas – e dedicadas às cerimônias de ressurreição de Osíris – deus dos mortos, da agricultura e do Nilo, considerado como a origem da vida e da fertilidade. Essa capela fazia parte do domínio das deusas Hator e Isís – deusa da terra e esposa de Osíris, também representada com atributos de vaca – no complexo de Dendera, considerado uma das tumbas de Osíris. Anteriormente, o local era chamado de Iunet, centro do culto da deusa Hator.

O céu representado pode ser especificamente datado entre 15 de junho e 15 de agosto de 50 a.C., graças à posição idêntica das constelações a cada mil anos. A abóbada celeste é representada em forma de um disco solar sustentado por quatro mulheres e quatro gênios falcões. Dentre as constelações, estão presentes a Ursa Maior e Menor, o Dragão e os signos do zodíaco, assim como os cinco planetas conhecidos na época – Vênus, Marte, Mercúrio, Júpiter e Saturno – sendo associados a signos, e dois eclipses mostrados exatamente onde aconteceram. O primeiro é o eclipse solar de 7 de março de 51, que figura como a imagem deusas Ísis segurando um babuíno pela cauda. O babuíno é Tot – deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia – representando a lua, que sob o controle da deusa não pode esconder o sol. O segundo é o eclipse lunar de 25 de setembro de 52, mostrado através do símbolo do olho de Hórus, que significa “estar inteiro”, o que faz bastante sentido já que os eclipses lunares acontecem sempre na lua cheia. Os 360 dias do ano também são representados através das figuras de 36 gênios.

Alguns signos do zodíaco são mostrados de maneira próxima a que conhecemos hoje, outros possuem representações diferentes, por exemplo, o signo de aquário, na figura de Hapi, o deus egípcio da inundação.

Quando observamos essa cerâmica, não podemos nos influenciar por nossas crenças contemporâneas e enxergar uma ferramenta astrológica, pois, apesar de os egípcios da época considerarem que algumas constelações e decanos podiam influir de maneira nefasta na vida humana, em questões de destino ou saúde, trata-se somente de uma representação do céu noturno sob a influência dos conhecimentos astronômicos e astrológicos gregos e babilônicos no Egito.

A obra foi transferida para o Museu do Louvre em 1821, durante as campanhas napoleônicas, sob a autorização do Paxá do Egito Mehemet Ali, e, hoje, no seu local original no templo de Hator encontra-se uma cópia.

Bibliografia:

Étienne, M., « Le Zodiaque de Dendéra » in Louvre. Consultado em 06/09/2017. http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/le-zodiaque-de-dendera

Michalowski K. et alii, L’art de l’Égypte, Paris, Citadelles et Mazenod, 1994.

Siliotti A., Grandes civilizações do passado – Antigo Egito, Barcelona, Folio, 2006, p. 60, 156-157.

Vercaulter J., L’Égypte ancienne, Paris, Presses universitaires de France, 2001.

*Sobre a coluna OBRA DE ARTE DA SEMANA: Aline Pascholati, Marina Franconeti e Wagner Galesco se alternam escrevendo sobre obras de arte de diversas épocas às terças-feiras.

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