O não leitor frustrado

O não leitor frustrado é aquele que não lê e se sente frustrado por isso, estando ou não ciente de tal fato.

O não leitor frustrado, no fundo, gostaria de ser um leitor, mas tem preguiça e não lê.

O não leitor frustrado tem sua frustração traduzida numa admiração não confessada pelo leitor, ou até mesmo certa inveja.

O não leitor frustrado muitas vezes esboça arrogância numa tentativa de acobertar algo que lhe falta, espaço vazio este que só pode ser preenchido pela leitura, mas como não lê, resta o esbanjar de um orgulho sem base.

O não leitor frustrado não se limita a interferir somente nos assuntos que lhe dizem respeito. Antes, palpita sobre tudo o que acha que sabe, inclusive sobre temas em que o senso comum não consegue alcançar o diálogo necessário. Os percalços cometidos pelo não leitor frustrado passam despercebidos por outros não leitores frustrados, os quais coadunam e aplaudem a postura ignorante do “crítico de bar”.

O não leitor frustrado sequer imagina as maravilhas que perde com a sua inércia para com a leitura. É um ser feliz em sua própria ignorância, o qual não se dá conta da necessidade da leitura para que a profundidade seja alcançada, para que uma melhor análise seja realizada, para que uma visão mais geral seja possibilitada, enfim, para que uma concreta compreensão seja atingida.

O não leitor frustrado acredita que pesquisa no Google é um modo suficiente para se saber algo sobre toda e qualquer coisa. Não precisa de nada além. Ele não precisa dos livros.

O não leitor frustrado não vê razão para ler um romance enquanto existem versões cinematográficas da história. Aliás, não vê razão para ler qualquer outro, pois possui à sua disposição uma série imensa de filmes e seriados para serem assistidos. O que o não leitor frustrado não se dá conta é da maravilhosa sensação em se ler um bom livro, dos benefícios advindos da leitura e do alcance de uma maior profundidade numa história que só é possível existir em um livro.

O não leitor frustrado acredita que é possível escrever bem sem ler.

O não leitor frustrado discorda que existam benefícios advindos da leitura. Tal discordância não possui base, pois o não leitor frustrado não lê. Mesmo assim, prefere acreditar em seu argumento pífio e inócuo. Como dito, o não leitor frustrado é feliz em sua própria ignorância.

O não leitor frustrado difere do não leitor simples. Enquanto este não lê por seus próprios motivos, mas reconhece a importância da leitura e respeita os leitores, aquele é grosseiro, orgulhoso e crítico (sem base), pois prefere perder tempo criando discursos contra leitores e a leitura ao invés de deixar a preguiça de lado e começar a ler.

O não leitor frustrado na verdade sabe o que está perdendo por não ler, mas prefere permanecer em tal estado lamentável, pois não possui humildade o suficiente para reconhecer a necessidade de mudança.

O não leitor frustrado está por aí. Tenhamos paciência!


Fonte da imagem:

https://artrianon.files.wordpress.com/2017/09/d78e1-crise-da-meia-idade-preocupacao-estresse-tristeza-depressao-ansiedade-1330610805205_956x500.jpg

 

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