OBRA DE ARTE DA SEMANA: “O Banho Turco” de Ingres


Jean-Auguste Dominique Ingres, O Banho Turco, óleo sobre tela colocada sobre madeira, 108 cm x 108 cm, 1862. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.

Para a coluna dessa semana escolhi a pintura “O banho turco” de Ingres. Escolhi essa obra, pois estava arrumando meu atelier e encontrei entre alguns documentos, um pôster do museu do Louvre que ganhei de presente há mais ou menos dez anos. Passei algum tempo admirando o impresso, e me ocorreu que em tempos de polêmicas e discussões acaloradas sobre arte, é interessante revisitar o passado e fazer uma reflexão sobre como essas questões eram encaradas em outros séculos.

Jean-Auguste Dominique Ingres (29 de Agosto de 1780 – 14 de Janeiro de 1867) foi um pintor e desenhista francês que pertenceu tanto ao movimento neoclássico, como ao romantismo (contra sua vontade). Foi discípulo de David, e se tornou um dos principais nomes da arte do século XIX. Ingres não tinha grande apreço por temas mitológicos e históricos, preferindo a pintura de retratos e os nus. Dotado de uma técnica incrível, Ingres foi influência artística tanto para os artistas que lutavam para manter a tradição clássica da arte, quanto para os principais artistas das vanguardas modernas, tais como Degas, Picasso, Matisse, Willem de Kooning, etc.

A obra “O Banho Turco” foi produzida em 1862 quando Ingres já estava com 82 anos de idade, fato esse que demonstra que sua verdadeira paixão pelo nu não era fruto de um ímpeto juvenil de um artista em início de carreira. A pintura, juntamente com outras grandes obras do artista, como “A Banhista de Valpinçon” de 1808 e a “Grande Odalisca” de 1814, foi fruto da inspiração que Ingres obteve a partir do relato de Mary Wortley Montagu, uma escritora protofeminista inglesa, que escreveu várias cartas sobre o oriente mulçumano. O interesse de Ingres pelo oriente foi o fator principal que o ligou ao romantismo, que como podemos analisar nas obras citadas neste texto, influenciou sua forma de produzir também.

Ingres utiliza uma paleta de cores pálidas e não usa modelos para compor a cena, se servindo de esboços de sua odalisca e de banhistas presentes em outras obras. A figura central nos remete à sua “Banhista de Valpinçon” e a figura feminina ao lado com os braços erguidos lembra um estudo de sua esposa, Madeleine Chapelle (1782-1849). Ingres parece recorrer a várias técnicas para atingir seu objetivo. Muito além de um simples exercício de pintura erótica, a composição é geometricamente complexa com vários planos ligados justamente pelas figuras femininas. Embora a técnica nos remeta quase que instantaneamente às características da pintura clássica, os corpos são leves, parecendo não possuírem ossos. E Ingres demonstra todo o seu mérito no acabamento impecável, nos detalhes, nos jarros, nas joias, além de incluir na composição duas mulheres negras na, característica pouco comum para a época. Ingres usa o realismo extremo para dar vida a um ambiente imaginário, retirado das “Cartas da Turquia de Montagu, no qual a maior parte das mulheres representadas tem a pele muito branca e algumas são loiras e possuem olhos claros, sendo assim bastante diferente do padrão real da mulher turca.

A pintura não foi muito polêmica, pois pertenceu inicialmente a coleções particulares. O primeiro comprador a devolveu dias depois a pedido de sua esposa, que a considerou “inadequado”. Algum tempo depois foi adquirida por Halil Şerif Pasha, um ex-diplomata turco que também possuía a obra “A Origem do Mundo” de Courbet. O próprio Louvre, que detém a “O Banho Turco” atualmente, o rejeitou por duas vezes.

Fonte da imagem:

pt.wikipedia.org/wiki/O_Banho_turco_(Ingres)#/media/File:Le_Bain_Turc,_by_Jean_Auguste_Dominique_Ingres,_from_C2RMF_retouched.jpg

 

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