OBRA DE ARTE DA SEMANA: ‘O violino d’Ingres’, de Man Ray


Man Ray, O violino d’Ingres, cópia em prata coloidal retocada com lápis e nanquim, 29,6 x 22,7 cm, 1924. Conservada no The J. Paul Gerry Museum, Los Angeles, EUA.

A fotografia O violino d’Ingres, criada pelo americano radicado em Paris Man Ray, mostra as costas da cantora, pintora, modelo e amante do artista, Kiki de Montparnasse. Com seus braços e pernas fora da visão do espectador, o corpo de Kiki toma as formas do violino, criando assim uma visão surreal e perturbadora de um ser humano sem membros, sendo essa obra uma das anunciadoras do movimento surrealista, com publicação no número 13 da revista Littérature, de André Breton, outro importante nome dessa corrente artística. Os símbolos que remetem às aberturas acústicas do instrumento foram adicionados à imagem através de lápis e nanquim, e, depois, o artista fotografou o todo, dando origem à obra final.

A expressão “violon d’Ingres” que dá título à fotografia remete ao hobby do pintor francês Jean-Auguste Dominique Ingres, que tocava violino nas horas vagas, ou seja, significando um hobby, lazer ou passatempo. Além disso, a pose da modelo na faz alusão a obras do pintor, como, por exemplo, A banhista de Valpinçon e O banho turco, atestando a admiração de Man Ray – um artista multifacetado que também pintava – por Ingres. Há outras imagens, inclusive, com uma referência mais direta ainda aos quadros do artista, nas quais Kiki foi fotografada, como nas pinturas, com um turbante na cabeça.


Jean-Auguste Dominique Ingres, A banhista de Valpinçon, óleo sobre tela, 146 x 98 cm, 1808. Conservada no Museu do Louvre, Paris, França.


Jean-Auguste Dominique Ingres, O banho turco, óleo sobre tela colocada sobre madeira, 108 cm x 108 cm, 1862. Conservada no Museu do Louvre, em Paris, França.

O aspecto lúdico da obra – lembremos que Man Ray foi dadaísta e surrealista – ainda é colocado em evidência pelo seu título ao comparar Kiki a um instrumento, assim, ela é colocada como algo a ser tocado, ao mesmo tempo em que, como o violino de Ingres, ela é, de certa forma, um passatempo para Man Ray. Segundo texto do J. Paul Getty Musem trata-se de uma imagem que possui uma tensão entre a objetificação e a apreciação da beleza feminina.

Bibliografia/Links:

Ian Haydn Smith, Breve história da fotografia, São Paulo, Editora Gustavo Gili, 2018. Trad. Edson Furmankiewicz. p. 66-67.
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“A banhista, dita a Banhista de Valpinçon” in Warburg – Banco Comparativo de Imagens (Unicamp), [Online]. Consultado em 04/07/2019.
http://warburg.chaa-unicamp.com.br/obras/view/1028

“Le Violon d’Ingres (Ingres’s Violin)” in The J. Paul Getty Museum, [Online]. Consultado em 04/07/2019.
http://www.getty.edu/art/collection/objects/54733/man-ray-le-violon-d’ingres-ingres’s-violin-american-1924/

 “O Violino de Ingres” in Warburg – Banco Comparativo de Imagens (Unicamp), [Online]. Consultado em 04/07/2019. http://warburg.chaa-unicamp.com.br/obras/view/2484

“Man Ray, um multitalento da modernidade” in Deutsch Welle, [Online]. Consultado em 04/07/2019.
https://www.dw.com/pt-br/man-ray-um-multitalento-da-modernidade/a-18677892

Fontes das imagens:

http://www.getty.edu/art/collection/objects/54733/man-ray-le-violon-d’ingres-ingres’s-violin-american-1924/

http://warburg.chaa-unicamp.com.br/obras/view/1028

 

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