OBRA DE ARTE DA SEMANA: Retrato de Mulher de El Fayum


Retrato de Mulher de El Fayum, têmpera sobre madeira, século IV d.C. Conservada no Museo Archeologico Nazionale di Firenze, Florença, Itália.

As pinturas conhecidas como “retratos de El Fayum”, figurando dentre exemplos mais importantes de retratos da época romana, foram realizados para serem colocados sobre os rostos das múmias – que ainda eram feitas envolvendo o corpo do defunto em linho -, da mesma maneira se fazia com as máscaras tridimensionais em épocas anteriores. O nome desse conjunto de obras vem do local onde foi encontrada a maior parte de seus exemplares, o oásis de El Fayum, no Egito. Na época correspondente a realização das pinturas, do século I ao século IV, o Egito fazia parte do Império Romano, mas os retratados em tempera – mistura de pigmentos com cola animal e água – sobre madeira eram descendentes de colonos gregos da época Ptolomaica, e, portanto, é provável que se identificassem com a cultura grega, se considerando muito mais como gregos do que como egípcios, como os romanos os viam.

Como podemos perceber pelo exemplo conservado no Museo Archeologico Nazionale di Firenze, em Florença, na Itália, um dos primeiros desse grupo a chegar na Europa, após expedição franco toscana de Rosellini e Champollion  (1829-1830), as vestimentas e adereços das personagens atestam a influência romana. Nesse retrato, a jovem mulher – grande parte dos representados é jovem, testemunhando, assim, que a morte de pessoas jovens era comum – é mostrada como uma matrona romana, vestindo uma túnica rosa, quase lilás e um manto branco, usando um penteado com o cabelo crespo preso em um coque, brinco de pérola – as pérolas eram muito apreciadas pelas senhoras da época – e um colar de ouro adornado com pedras azuis.

O mais interessante desses retratos, que se acredita que eram feitos logo após a morte do defunto, é a intenção de fazer com que as imagens sejam individualizadas, mostrando características que tornam reconhecíveis os retratados – os historiadores conseguiram até mesmo propor parentesco entre os representados que se assemelham. É possível que os pintores deixassem alguns modelos de pintura prontos e adicionassem os detalhes para tornar o retrato único depois.

Dessa maneira, apesar de se tratar de uma mulher que viveu há quase dois mil anos, podemos conhecer seu rosto e talvez imaginar sua história através de seu vivo olhar.

Bibliografia/Links:

Donald E. Strong, O Mundo da Arte: A Antiguidade Clássica, Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1979, p. 148-149. Trad. Álvaro Cabral, Áurea Weissenberg, Donaldson Garschagen, Henrique Benevides, Lélia Contijo Soares, Sílvia Jambeiro, Vera N. Pedroso.

“#Lartetisomiglia: alla scoperta dei volti del MAF – 1 – il Ritratto del Fayyum” in Museo Archeologico Nazionale di Firenze – Il Blog, [Online]. Consultado em 04/11/2019.
https://museoarcheologiconazionaledifirenze.wordpress.com/2017/01/13/lartetisomiglia-ritratto-fayyum-museo-archeologico-firenze/

Placa explicativa sobre o Retrato de Mulher de El Fayum no Museo Archeologico Nazionale di Firenze.

Fontes das imagens:

https://museoarcheologiconazionaledifirenze.wordpress.com/2017/01/13/lartetisomiglia-ritratto-fayyum-museo-archeologico-firenze/

https://research.britishmuseum.org/research/collection_online/search.aspx?searchText=fayum%20portrait

 

Comprando qualquer produto na Amazon através desse link, você ajuda a manter o Artrianon e não paga nada a mais por isso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s