OBRA DE ARTE DA SEMANA: As magníficas esculturas de lixo reciclado de El Anatsui


El Anatsui, Through Puffs of Smoke, They Filtered Us (Através de Baforadas de Fumaça, Eles Nos Filtraram), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 2011.


El Anatsui, Solitary House (Casa Solitária), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 264,16 x 350,52 cm, 2012.

O artista ganês El Anatsui, que vive e trabalha na Nigéria, cria obras incríveis de tampa de garrafas entrelaçadas através de fios de cobre que transitam entre a escultura e a instalação e parecem tapeçarias metálicas. Apesar de serem feitas de metal e, portanto, sendo pesadas, além de chegar a muitos metros de altura e comprimento, elas são maleáveis e não deixam de evocar leveza. Essa maleabilidade, por sua vez, permite que as criações tomem formas diversas cada vez que são expostas e, dessa maneira, desafia a ideia de rigidez que geralmente acompanham as esculturas.


El Anatsui, Perspectives (Perspectivas), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 1186,18 cm x 1140,46, 2015.


El Anatsui, Blood Of Sweat (Sangue de Suor), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 838,2 cm x 711,2, 2015.

O escultor já havia trabalhado com lixo antes – durante seus mais de quarenta anos de carreira, usou os mais diversos materiais – mas foi com as tampas de garrafas de alumínio que se tornou um queridinho do mundo da arte. Eu conheci seu trabalho, por exemplo, em uma mostra no Museu Salvatorre Ferragamo, em Florença, e alguns dias depois me deparei com outra de suas obras na Bienal de Veneza, uma das exposições de arte contemporânea mais importantes do mundo – o artista, inclusive, recebeu o prêmio Leão de Ouro da mostra em 2015. O artista também é representado por galerias internacionais prestigiosas e possui peças no acervo de museus importantíssimos, tais como o George Pompidou, em Paris; o British Museum, em Londres; o Metropolitan e o MoMa, de Nova Iorque; e o Smithsonian Institution, em Washington, dentre outros.


El Anatsui, Earth Shedding Its Skin (Terra Derramando Sua Pele), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 2019. Obra apresentada no Pavilhão de Gana da 58ª Bienal de Veneza.

À primeira vista, me apaixonei pela estética da instalação que vi em Florença, mas entendi sua verdadeira complexidade quando visite a Bienal e descobri mais sobre seu processo criativo. No atelier do artista, na cidade de Nsukka, na Nigéria, as tampas de garrafa recolhidas de centros de reciclagem são amassadas por seus assistentes, transformando as em círculos, quadrados, retângulos e outras formas; depois, são unidas por fios de cobre em blocos de cerca de 200 tampinhas; finalmente, o criador escolhe como agenciar os agrupamentos de diversas cores e formas.

Segundo ele, que se interessa pelo reuso e transformação, a abundância do material e seu pouco valor intrínseco, o permite experimentar, o que não aconteceria da mesma maneira se se tratasse de um material valioso que se evita desperdiçar. Também é interessante notar que a pobreza do material, não impede que as criações pareçam extremamente ricas, não somente em seu significado, quanto em uma aura de riqueza e esplendor, que não deixa de lembrar mosaicos – sobretudo os bizantinos com fundos compostos de pastilhas de folhas de ouro – e peças de vestuário cerimoniais e aristocráticos de diversas culturas.

Além disso, as tampas de garrafas, apesar de serem todas fabricadas na Nigéria, representam o comércio atlântico, que existe desde o tempo que os europeus traziam rum da América para África e levavam outros produtos – inclusive escravos – de volta para lá. Dessa maneira, seu trabalho gira em torno de várias questões, desde a cultura africana e a história colonial, até o consumismo e a o meio ambiente.


El Anatsui, Enlightened (Iluminado), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 254 x 279,4 cm, 2012.


El Anatsui, Trova, alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 276,86 cm x 279,4 2016.


El Anatsui, Anthem for A-Nu (Hino para A-Nu), alumínio (tampas de garrafa) e fios de cobre, 220,98 cm x 624,84 2014.

 

Assista abaixo a um vídeo sobre o processo criativo no atelier do artista:

 

Bibliografia/Links:

« ‘Bottle caps are more versatile than canvas and oil’: El Anatsui on turning the everyday into art » in The Guardian, [Online]. Consultado em 03/08/2020.
https://www.theguardian.com/artanddesign/2020/jun/21/bottle-caps-versatile-el-anatsui-everyday-art

El Anatsui, [Online]. Consultado em 03/08/2020.
https://elanatsui.art/

« El Anatsui » in Jack Shainman Gallery, [Online]. Consultado em 03/08/2020.
https://jackshainman.com/artists/el_anatsui

« El Anatsui » in October Gallery, [Online]. Consultado em 03/08/2020. http://www.octobergallery.co.uk/artists/anatsui/

« El Anatsui: Studio Process | Art21 “Extended Play”» in Canal do YouTube Art 21, [Online]. Consultado em 03/08/2020.
https://www.youtube.com/watch?v=_d3RIE195JI

« Who is El Anatsui » in Tate, [Online]. Consultado em 03/08/2020. https://www.tate.org.uk/art/artists/el-anatsui-17306/who-is-el-anatsui

 

Fonte das imagens:

https://elanatsui.art

Comprando qualquer produto na Amazon através desse link, você ajuda a manter o Artrianon e não paga nada a mais por isso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s