OBRA DE ARTE DA SEMANA: Número 1 (Névoa Lavanda) de Jackson Pollock


Jackson Pollock, Número 1 (Névoa Lavanda), óleo, resina sintética e alumínio sobre tela, 221 x 299,7 cm, 1950. Conservada na National Gallery of Art, Washington, EUA.

A grande dimensão das telas abstratas de Pollock, na pintura em questão correspondendo a mais de dois metros de altura por quase três metros de comprimento, faz com que o espectador, ao invés de ser um simples observador, esteja imerso na obra de arte, tal qual o artista quando a realiza.

Segundo o artista:

“A pintura tem uma vida própria. Tento deixá-la aparecer.”

Pollock criava esse tipo de obra, que fez dele uma celebridade e o maior representante do expressionismo abstrato, colocando uma tela no chão e deixando pingar e escorrer tinta bastante líquida sobre ela, usando pedaços de madeira e pinceis, enquanto andava em volta da tela, tornando-se assim ele mesmo parte dela. Essas técnicas, que já existiam antes dele, denominadas “dripping” e “pouring”, em português “gotejando” e “escorrendo”, já haviam sido testadas por ele em outros materiais, tais como cerâmica e pedaços de vidro, antes de serem usadas nas telas. Apesar de o processo parecer acidental e espontâneo, o artista dizia que, na verdade, era tudo muito controlado. O resultado eram telas dando ênfase à cor e à textura, independente da forma, com vários “pinguinhos” criando uma textura relativamente homogênea, ou “all-over”, nome dado à prática da repetição de um motivo, sem ponto focal ou formas definidas. O próprio processo criativo é colocado em evidência, assim como os gestos usados em sua criação pelo artista, caracterizando a essência da chamada “action panting”.

Algumas tintas usadas eram, frequentemente, como no caso dessa pintura, industriais, ou seja, não foram fabricadas para o uso em telas e não necessariamente com qualidade e longa duração, o que por vezes acaba causando alguns problemas de conservação e restauração atualmente.

Pollock foi provavelmente influenciado, consciente ou inconscientemente, pelas pinturas com areia da arte indígena americana, da qual era admirador, já que quando criança o artista vivia no estado do Arizona, onde pode entrar em contato com ela. É interessante notar, inclusive, em Número 1 (Névoa Lavanda), o artista “assinou” primitivamente sua obra através de uma impressão de sua mão no canto superior esquerdo da tela.

A pintura foi produzida durante o período correspondente aos primeiros trabalhos do gênero criados pelo artista, entre 1947 e 1950. Nessa época, Pollock vivia em Long Island, usando um antigo estábulo como atelier, em uma área próxima a pântanos, sendo assim provavelmente inspirado por esse contato com a natureza ao seu redor.

O leitor pode estar se perguntando por que a pintura se chama Névoa Lavanda, se na verdade esta é composta de tons cinza, salmão, branco e preto. Trata-se de sugestão de um importante crítico da época, Greenberg, segundo o qual as obras de Pollock representariam a nova arte americana, e que viu na mistura de cores da tela um tom próximo ao lavanda; sugestão esta que foi aceita como título descritivo pelo artista.

Não somente em vida Pollock foi uma celebridade. Hoje seu trabalho é conhecido por milhões de pessoas, até mesmo por aquelas pouco entendidas de arte, sendo comprado por grandes somas em leilões de arte; a mais importante delas chegando a 140 milhões de dólares com a pintura Número 5, de 1948, em 2006.

Bibliografia:

História ilustrada da arte: os principais movimentos e as obras mais importantes, São Paulo, Publifolha, 2016, p. 250-257.
Compre esse livro aqui.

Number 1, 1950 (Lavender Mist)” in National Gallery of Art. Consultado em 23/01/2018.
https://www.nga.gov/Collection/art-object-page.55819.html

Annie OCHMANEK, “Jackson Pollock” in Museum of Modern Art, 2016. Consultado em 23/01/2018. https://www.moma.org/artists/4675

Nigel REYNOLDS, “Pollock world’s most expensive painting” in Telegraph, 03/11/2006. Consultado em 23/01/2018. http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1533200/Pollock-worlds-most-expensive-painting.html

Denys RIOUT, Qu’est-ce que l’art moderne?, Paris, Gallimard, 2000.

Georges ROQUE, Qu’est-ce que l’art abstrait?, Paris, Gallimard, 2003.

Fonte das imagens:

https://www.wikiart.org/en/jackson-pollock/number-1-lavender-mist-1950-1

https://www.jackson-pollock.org/

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