OBRA DE ARTE DA SEMANA: Relicário de São Francisco


Relicário de São Francisco de Assis
, madeira, esmalte champlevé sobre cobre dourado e cristais, 36cm de altura, 1228-1230. Depósito do Museu do Louvre no Museu Cluny – Musée du Moyen-Âge, Paris, França.

O relicário de São Francisco de Assis conservado no Museu Cluny, o Museu da Idade Média de Paris, é um dos mais antigos criados para abrigar relíquias do santo morto em 1226 e canonizado dois anos depois. O objeto foi elaborado por artesãos da região de Limoges, França, na própria localidade, na qual havia vários monastérios franciscanos, ou na Itália, onde nasceu São Franscisco de Assis.

No topo, há uma placa quadrilobada – em forma de trevo – representando São Francisco tal qual um novo Cristo, recebendo seus estigmas – marcas dos pregos que prenderam o Cristo na cruz e que vários santos teriam milagrosamente recebido através do tempo -, envolto por motivos vegetais. O santo era conhecido, já em vida, por sua extrema bondade e contato com a natureza e os animais, tendo, inclusive composto o Cântico das Criaturas. Na parte superior da placa, há um serafim – o tipo de anjo mais próximo de Deus, caracterizado por suas seis asas – rodeado por estrelas estilizadas.

Na parte traseira, há outras duas placas. Uma delas possui nichos e a outra possui cristais que cobrem essas cavidades nas quais as relíquias eram colocadas.

O pé do relicário também é ricamente decorado com motivos geométricos, vegetais e pavões que parecem passear por um jardim com uma fonte. Desde a Antiguidade, pavões eram animais criados por reis e grandes senhores e passeavam livremente por seus jardins. Esses pássaros significavam renascimento e ressurreição, estando assim relacionados com o recebimento dos estigmas do Cristo representado na placa superior.

A técnica é bastante interessante. Apesar do que pode parecer, a peça não é de metal maciço, muito menos de ouro! Uma robusta estrutura em metal foi recoberta de cobre dourado, decorado com esmalte champlevé – típico da região de Limoges – e gravado.  Gravava-se o metal usando um instrumento pontiagudo sobre a superfície e o esmalte champlevé era uma técnica na qual o ourives aplicava uma mistura de pó de vidro e óxidos metálicos –cobre, ferro ou cobalto, por exemplo – sobre cavidades previamente elaboradas, e dessa maneira, os espaços eram preenchidos com o esmalte colorido.

Bibliografia:

DESCATOIRE, « L’orfèvrerie et l’émaillerie » in Dossier de l’art, Paris, Faton, No. 152 (Maio 2008), p. 38-45.

Links:

Muriel BARBIER, “Reliquaire de saint François d’Assise” in Louvre, [Online]. Consultado em 18/03/2019.
https://www.louvre.fr/oeuvre-notices/reliquaire-de-saint-francois-d-assise

“Reliquaire de saint François d’Assise” in Musée du Moyen-âge, [Online]. Consultado em 18/03/2019.
https://www.musee-moyenage.fr/collection/oeuvre/reliquaire-francois-assise.html

“Reliquaire de saint François d’Assise” in RMN, [Online]. Consultado em 18/03/2019.
https://www.photo.rmn.fr/archive/95-009713-2C6NU0N77889.html

Fonte das imagens:

https://www.musee-moyenage.fr/collection/oeuvre/reliquaire-francois-assise.html

https://www.photo.rmn.fr/archive/95-009713-2C6NU0N77889.html

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