SP-Arte 2019: O que ver?

A 15ª edição da SP-Arte, maior feira de arte do hemisfério sul, acontece até o próximo domingo (07/04) no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Colecionadores, art insiders e visitantes curiosos podem encontrar trabalhos de alguns gigantes da arte moderna, tal como Di Cavalcanti (Almeida e Dale) e até mesmo Picasso e Chagall (Opera Gallery), e outros gigantes contemporâneos, entre eles Daniel Buren, Yayoi Kusama (Simões de Assis Galeria), Damien Hirst, Ai Weiwei, Anish Kapoor, Ian Davenport (Dan Galeria), Adriana Varejão (Almeida e Dale) e Beatriz Milhazes, esta última com uma obra vendida por 16 milhões de reais já no primeiro dia da feira, batendo assim seus recordes de arremate em leilões.


Pablo Picasso e Marc Chagall na Opera Gallery

Além de nomes muito conhecidos, é possível apreciar e adquirir obras de criadores menos conhecidos ou mais jovens, dentre os quais algumas artistas que gosto muito e já fazem bastante sucesso no Brasil: Adriana Duque (Galeria El Museo, Galeria Fernando Pradilla e Zipper Galeria), Flávia Junqueira e Janaína Mello Landini – as duas últimas da Zipper Galeria -, sobre as quais não me estenderei mais longamente, pois já falamos sobre elas aqui no Artrianon na coluna Obra de Arte da Semana.

Há peças de design no terceiro andar do pavilhão – estão por lá uma desenhada por Dalí e outra por Gaudí –, stands de editoras e museus que vendem livros e revistas sobre arte, e performances acontecem por todo o prédio.

Abaixo, algumas obras que encontrei pela exposição e gostaria de comentar – é importante lembrar que como se trata de uma feira, na qual o objetivo principal é a venda, pode acontecer de uma peça que estava lá no primeiro dia não estar mais no final da mostra, já que algumas vezes os galeristas trocam os objetos por motivos estratégicos ou porque estes simplesmente foram vendidos. Pela mesma razão, o visitante não encontrará, necessariamente, uma coesão entre as obras apresentadas no espaço de uma mesma galeria ou no espaço da feira no geral.


Di Cavalcanti
Almeida e Dale Galeria de Arte

Logo na entrada, à esquerda, esse belíssimo Di Cavalcanti de fundo amarelo atrai os olhos e serve de pano de fundo para selfies e fotos dos visitantes. A obra pode ser sua por 20 milhões de reais. É quase como ter um pedaço do MASP dentro de casa.

Paul Setúbal
Andrea Rehder Arte Contemporânea

Paul Setúbal, que trabalha sobre o tema dos impactos da força sobre o físico, foi, inclusive, o vencedor desse ano de um importante prêmio da SP-Arte concedido pela Delfina Foundation, da Inglaterra.


José Rufino
Galeria Base

Como escritora, é impossível não se sentir atraída por uma obra que combina uma máquina de escrever antiga com documentos antigos escritos à mão. O artista se apropriou desses objetos e “carimbou” suas mãos sobre concreto, em um ato, talvez, de deixar sua marca no tempo. A obra, que funciona como um autorretrato do próprio artista e tem, curiosamente, a forma de uma cruz, é também uma carta de José Rufino para ele mesmo.



Madonna Raquel of the Emergency Blanket
(Madonna Raquel do Cobertor de Emergência) de Juan Francisco Casas
Galeria El Museo e Galeria Fernando Pradilla

Juan Francisco Casas é o artista perfeito para os que prezam o virtuosismo nas técnicas tradicionais, pois seu desenho é impecável, representando a figura humana e as texturas de maneira perfeita. Entretanto, sua contemporaneidade vem do fato de que esses desenhos são criados usando caneta esferográfica e possuem certa dose de ironia ou toque cômico, como podemos ver nesse desenho de uma mulher com um cobertor daqueles usados pelos bombeiros para cobrir os pacientes em chamados de emergência que o artista chama de Madonna, em referências às famosas pinturas da Virgem Maria através da História.


Laurent Chérère
Gabriel Wickbold Studio Gallery

Descobri o fotógrafo nessa edição da SP-Arte e me apaixonei. O francês mescla digitalmente objetos reais para criar uma atmosfera que reflete o imaginário de maneira extremamente poética.

A galeria de Gabriel Wickbold, fotógrafo queridinho do mundo da moda, sempre traz artistas talentosíssimos de vários estilos diferentes. Escolhi falar de Laurent que foi minha descoberta na feira, mas poderia ter escolhido qualquer um de seus magníficos companheiros de stand.



F.O.D.A.
de Ai Weiwei
ArtEEdições Galeria

O polêmico chinês Ai Weiwei mergulhou na cultura brasileira viajando pelo país antes de sua exposição solo na OCA, no ano passado. Assim, ele criou uma obra que explora a natureza e as praias do nosso país e é produzida no Brasil em edição limitada. O lançamento aconteceu no ano passado durante a SP-Arte, mas ainda é possível comprar exemplares das peças realizadas em porcelana e que podem ser pintadas a mão ou brancas.

 


Hydra
de Sérgio Coimbra
ArtEEdições Galeria

Outra descoberta foi Sérgio Coimbra. Suas obras, também em série limitada, especialidade da ArtEEdições, lembram imagens do espaço e são colocadas sobre um fundo luminoso, o que acentua esse efeito e as torna ainda mais incríveis.


Manolo Valdès
Opera Gallery

Manolo Valdès foi exposto pela Opera Gallery ao lado de grandes nomes modernistas como Léger, Picasso e Chagall. Várias esculturas em metal do artista foram mostradas no stand, mas minha preferida foi o busto Clio dorada (Clio Dourada) – Clio é a musa grega da História -, um exemplar de uma série de nove.


Laure Prouvost
Lisson Gallery



© Laure Prouvost. Courtesy of Lisson Gallery

A curiosa escultura de vidro de Laure Prouvost lembra uma forma vegetal e é ladeada por uma pinturinha “combinando”, na qual a escultura é representada com personagens sob ela, mostrando como seria a “função” do objeto, afinal o título é Cooling system 3 (for global warming) – Sistema resfriador 3 (para aquecimento global). Quem comprar a obra maior leva a menor.


Carlos Garaicoa
Galeria Luisa Strina

Adoro o trabalho de Garaicoa desde que o vi no Inhotim, e mesmo já tendo falado sobre o artista aqui no Obra de Arte da Semana, decidi comentar essa obra, pois é bem diferente da instalação sobre a qual escrevi na coluna.

O que temos é um livro sobre Karl Marx dentro de uma Louis Vuitton. À primeira vista, pode parecer um contraste entre comunismo e capitalismo ou uma piada sobre a esquerda caviar. Entretanto, a intenção do artista não foi nada disso. Na verdade, quando notamos que o livro foi editado pela marca Louis Vuitton, podemos perceber que é de certa forma o capitalismo se apropriando do comunismo, engolindo-o.


SP-Arte 2019

4 a 7 de abril. Das 13h às 21h; e 7 de abril, das 11h às 19h.
Pavilhão da Bienal. Parque Ibirapuera, portão 3. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.
R$50. Meias-entradas a R$20. Gratuito para crianças de até dez anos.

 

Imagens:

Divulgação

Imagem Di Cavalcanti: Sergio Guerini / Divulgação Almeida e Dale

Imagem Laure Prouvost: Cortesia Lisson Gallery

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